Uma intoxicação que atingiu aproximadamente 120 pessoas após consumo de pizzas em uma pizzaria de Pombal, no Sertão da Paraíba, resultou na morte da servidora pública Rayssa Maritein Bezerra, de 44 anos. Rayssa foi internada pela segunda vez no Hospital Regional de Pombal (HRP) e morreu na terça-feira, 17 de março, horas depois de ter voltado à unidade na manhã de segunda-feira em estado grave, com diarreia, vômitos intensos e dor abdominal.

Em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário do Sertão, a médica Érika Alencar, que integrou a equipe que atendeu 74 pacientes no HRP, descreveu como surpreendente a rapidez da piora clínica de Rayssa após ela ter recebido alta na primeira entrada, no domingo. Segundo a profissional, a paciente apresentou melhora no atendimento inicial e foi liberada, mas retornou no dia seguinte em condições sensivelmente piores.

A médica afirmou que, em geral, quadros de intoxicação alimentar tendem a melhorar com o tempo e o tratamento instituído, o que não aconteceu neste caso. A equipe precisou realizar intubação, adotar medidas invasivas e utilizar medicamentos de maior potência na tentativa de reverter a situação. Na terça-feira pela manhã, Rayssa apresentou piora adicional associada à falência renal, caracterizada como Injúria Renal Aguda (IRA) em decorrência de quadro de choque séptico, evoluindo em seguida para parada cardiorrespiratória e óbito, apesar dos protocolos de ressuscitação aplicados.

Não há registro, segundo a médica, de comorbidades relatadas pela paciente; familiares e equipe aguardam o laudo final que deverá esclarecer de forma definitiva a causa da morte.

O delegado Rodrigo Barbosa informou que a linha principal de investigação aponta para possibilidade de intoxicação relacionada à carne utilizada nas pizzas. Exames toxicológicos foram solicitados para identificar a causa exata do envenenamento.

Na noite de terça-feira, o proprietário do estabelecimento, Marcos Antonio Gomes Neto, de 24 anos, divulgou declaração em seu perfil no Instagram, acompanhado da advogada Raquel Dantas, afirmando estar abalado com o ocorrido e colaborando com as autoridades, fornecendo amostras e informações à Vigilância Sanitária, Polícia Civil e à Prefeitura em busca de esclarecimentos.

Equipes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Agevisa), da Vigilância Sanitária Municipal e da Polícia Civil interditaram a pizzaria, localizada no Centro de Pombal, e recolheram produtos e documentos para análise. Durante a inspeção, foram encontradas pragas e várias não conformidades, entre elas ausência de documentação obrigatória, acondicionamento inadequado de alimentos, instalações elétricas expostas e condições térmicas inadequadas. De forma preliminar, o delegado relatou que não foram detectados alimentos fora do prazo de validade. A advogada do dono disse que a interdição se deu por problemas estruturais e sanitários que exigem reparos, e que não há, até o momento, indicação de contaminação dos alimentos.





As investigações e as análises laboratoriais prosseguem para determinar as causas precisas do surto e da morte.

Com informações de Diariodosertao