Professor fala sobre recuperação após ataque dentro de sala de aula
Cinco meses depois de ser agredido com um martelo por um estudante de 17 anos durante uma prova, o professor Elcivan Ramalho relatou o processo de recuperação e fez um apelo por mais diálogo nas escolas. O ataque ocorreu em 10 de outubro de 2025, enquanto ele ministrava uma avaliação na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Audiocomunicação, em João Pessoa.
Segundo o docente, não houve sinais prévios que antecipassem a violência e ele ainda desconhece os motivos que levaram o aluno a atingi-lo. “Nesse tempo eu nunca imaginava ter passado por uma situação como essa, até porque eu sempre tratei bem meus alunos”, disse Elcivan em entrevista à TV Cabo Branco, a primeira desde o episódio.
O professor foi internado em estado grave após o ataque, apresentando afundamento do crânio. Ele passou por cirurgias, incluindo uma cranioplastia para reconstrução craniana, e segue em acompanhamento médico contínuo. Além do tratamento neurológico, Elcivan recebe atendimento psiquiátrico e psicológico e faz consultas com otorrinolaringologista devido a uma sequela auditiva provocada pelo trauma.
Com 17 anos de atuação na educação, o professor afirmou que nunca havia vivenciado situação semelhante e ressaltou sua confiança no papel transformador da educação. Aos alunos, ele pediu que controlem impulsos e priorizem o diálogo para evitar conflitos: segundo Elcivan, se houvesse uma conversa antes do ataque, talvez o episódio pudesse ter sido evitado.
Sobre o caso, o boletim de ocorrência foi registrado pela direção da escola na Delegacia Geral de Polícia Civil de João Pessoa na tarde de sábado, 11 de outubro de 2025. Após a agressão, o adolescente fugiu, mas foi localizado posteriormente. A Justiça expediu mandado de busca e apreensão contra o jovem por ato infracional análogo a tentativa de homicídio.
Na época, a coordenadora pedagógica da escola afirmou que o aluno não tinha histórico de agressividade, embora depois da ocorrência tenham surgido relatos de comportamentos suspeitos, como ter sido visto portando uma faca e um aparelho de choque.
O caso segue com as autoridades competentes, enquanto o professor continua o tratamento e mantém a defesa do diálogo como ferramenta para prevenir violência no ambiente escolar.
Com informações de G1



