Uma mulher morreu e mais de 100 pessoas passaram mal em Pombal, no Sertão da Paraíba, após consumirem pizza em um estabelecimento da cidade na noite de domingo (15). O caso é objeto de investigação da Polícia Civil, do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e da Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB).

As autoridades apuram dois crimes no inquérito policial: venda de alimento impróprio para consumo e homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Foram coletadas amostras do corpo da vítima, de alimentos e de pizzas para exame toxicológico; a Polícia Civil informou que os resultados preliminares têm previsão de sair a partir de segunda-feira (23). A Agevisa encaminhou material ao Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB), que tem prazo de até duas semanas para análises.

A Vigilância Sanitária interditou o estabelecimento na segunda-feira (16). Em nova vistoria realizada na manhã de terça (17), a Agevisa registrou irregularidades como presença de insetos, falta de documentação obrigatória, acondicionamento inadequado de alimentos, problemas de controle térmico, equipamentos oxidado e reaproveitamento de vasilhames. O inspetor sanitário Sérgio Freitas afirmou que o local estava em “total desconformidade” com a legislação sanitária.

A investigação aponta como suspeita a pizza de “carne de sol na nata”, sabor consumido pela vítima, identificada como Raíssa Bezerra. Segundo o delegado Rodrigo Barbosa, a apuração busca diferenciar se o problema se deu por alimento estragado, contaminação por tóxico (como inseticida) ou por ação intencional. A investigação recolheu informações de que a carne foi comprada no sábado (14) e a nata foi preparada na tarde do mesmo dia.

A perícia inicial no corpo de Raíssa, realizada pelo perito Luiz Rustenes, não encontrou sinais macroscópicos típicos de intoxicação alimentar, como edema cerebral, congestão meníngea, edema pulmonar intenso ou hemorragias difusas. O exame toxicológico, mais detalhado, deverá indicar presença de substâncias externas e é considerado determinante para esclarecer a causa da morte. Rustenes informou que o Código de Processo Penal prevê prazo de até 10 dias para conclusão dos exames, prorrogável conforme a demanda.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Pombal, os pacientes que buscaram atendimento no Hospital Regional e na UPA relataram sintomas semelhantes: náuseas, vômitos, dores abdominais, diarreia e mal-estar geral. Mais de 100 pessoas apresentaram esses sinais após consumir pizza do mesmo estabelecimento na noite de domingo (15).

Raíssa Bezerra trabalhava na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Pombal; a família a descreveu como servidora pública, engenheira agrônoma, sem filhos e não casada. O velório ocorreu no auditório da UBS Solar das Oiticicas na terça (17) e o sepultamento foi realizado no Cemitério São Francisco no dia seguinte. A reportagem registra que ela mantinha um relacionamento descrito como “cerca de um ano” em um trecho, enquanto o namorado, André Marreiro, de 39 anos, disse em depoimento que o casal namorava há oito meses. André também passou mal, sobreviveu e afirmou que Raíssa não tinha comorbidades prévias.

O proprietário da pizzaria, identificado como Marcos Antônio, afirmou em vídeo enviado por sua advogada, Raquel Dantas, que lamenta o ocorrido, que está colaborando com as investigações e fornecendo amostras solicitadas pelos órgãos. Ele foi intimado a depor no inquérito, procedimento que ainda não havia ocorrido até a última atualização; o padrasto, que atua como administrador do estabelecimento, já prestou depoimento.

As autoridades destacam que a causa da morte e a origem das contaminações nas comidas só poderão ser confirmadas após os laudos toxicológicos no corpo da vítima e as análises realizadas pela Vigilância Sanitária nos alimentos. Eventuais responsabilizações criminais serão definidas ao final do inquérito.

Com informações de G1