Areial (PB) – O padre Danilo César de Sousa Bezerra, 31 anos, será processado por Gilberto Gil e pode ser proibido de conduzir celebrações religiosas caso seja condenado por intolerância e racismo religioso.

Durante homilia realizada em 27 de julho, na Paróquia São José, o sacerdote ironizou a oração do cantor aos orixás pela saúde da filha, Preta Gil, morta em 20 de julho, em Nova York, vítima de complicações de um câncer no intestino. A pregação foi transmitida nas redes sociais da igreja.

A família de Gil acionou a Justiça e pede indenização de R$ 370 mil por danos morais. A advogada Layanna Piau confirmou que o processo foi protocolado por intolerância e racismo religioso.

Possíveis punições

De acordo com o advogado Alan Pitombo, presidente da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa da OAB-BA, o padre pode responder com base na Lei 7.716/1989 (Lei Caó), que criminaliza discriminação por raça, cor, etnia ou religião. Atualizada em 2023, a norma equiparou injúria racial a racismo e prevê pena de até cinco anos de prisão quando o crime ocorre em redes sociais, circunstância que agrava a condenação.

Por ter ocorrido durante ato litúrgico, o episódio pode resultar ainda na proibição de Danilo César celebrar missas, acrescentou Pitombo.

Trâmite do caso

A ação é pública, o que permite ao Ministério Público da Bahia oferecer denúncia. Até a publicação desta reportagem, o órgão não se manifestou. Diocese de Campina Grande e Paróquia São José também não responderam aos contatos.

Luto e espiritualidade

Preta Gil mantinha forte ligação com a religiosidade. Em janeiro de 2024, celebrou missa de agradecimento na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador. Após o Carnaval de 2025, mergulhou na Baía de Todos-os-Santos em homenagem a Iemanjá. Desde a morte da artista, a mesma igreja realiza missas mensais em sua memória, no dia 20.

O processo segue aguardando análise judicial.

Com informações de g1