O clássico Ben-Hur, dirigido por William Wyler em 1959, carrega um subtexto homoafetivo que nem sempre foi percebido pelo público da época, segundo o colunista Sílvio Osias. A versão restaurada em 4K do filme será exibida nos cinemas do Brasil entre 2 e 5 de abril, durante a Semana Santa, embora não se saiba ainda se a cidade de João Pessoa fará parte da programação.
A história cinematográfica de Ben-Hur remonta à primeira adaptação, de 1925, no período do cinema mudo, com Ramon Novarro no papel de Judah Ben-Hur. Em 2016 houve outra refilmagem, com Jack Huston interpretando o protagonista. No entanto, é a versão de 1959 de Wyler que consolidou o longa na história do cinema.
No filme de Wyler, Charlton Heston interpreta Ben-Hur; ele já tinha vivido Moisés em Os 10 Mandamentos e logo depois encarnaria o herói de El Cid. Stephen Boyd vive Messala, personagem que, na narrativa, foi amigo íntimo de Ben-Hur no passado e depois se tornou seu antagonista. O roteirista Gore Vidal, que fazia parte da comunidade LGBT em Hollywood, teria introduzido a camada homoafetiva entre os dois personagens centrais, um elemento que passou despercebido por grande parte do público em 1959.
A cena de reencontro entre Ben-Hur e Messala, logo no início do longa, é citada como indicativa dessa leitura entrelinhas. Segundo o colunista, Charlton Heston não teria percebido esse subtexto durante as filmagens; Stephen Boyd, por outro lado, estaria ciente e manteve o segredo.
Ben-Hur tem duração próxima a quatro horas e inclui uma das sequências mais famosas do cinema: a corrida de quadrigas, que ocupa cerca de meia hora. O filme estreou com grande sucesso crítico e comercial, recebendo 12 indicações ao Oscar e conquistando 11 estatuetas na cerimônia de 1960. A trama se passa na época de Cristo, com Jesus figurando como personagem secundário — aparece de costas em uma cena — e realiza um milagre próximo ao desfecho, no momento de sua crucificação.
O colunista recorda ainda um episódio pessoal: há quase dez anos, após publicar um texto sobre o subtexto homoafetivo de Ben-Hur, recebeu uma ligação de um leitor que se dizia pastor, manifestando indignação e ofensas. Osias respondeu com bom humor e esclareceu não ser comunista nem gay, embora não visse problema em ser.
A reapresentação em 4K do filme em telas grandes é apontada como oportunidade para redescobrir cenas e nuances que passaram despercebidas na estreia original.
Com informações de Jornaldaparaiba




