Uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) revelou um aumento de 4,5°C na temperatura da capital paraibana, João Pessoa, no período de 2013 a 2022, mostram dados divulgados à Rádio CBN. O levantamento foi realizado no âmbito do Projeto de Extensão Pedagogia Urbana, vinculado ao Departamento de Geociências da UFPB.
O estudo, que analisou nove anos de observações, utilizou imagens de satélite para levantar a temperatura da superfície e identificar a evolução térmica na cidade. Segundo os pesquisadores, os bairros de Manaíra, Tambaú e Jardim Oceania foram apontados como os locais com maior índice de desconforto térmico na capital.
A geógrafa e coordenadora do projeto, Andrea Porto, explicou que o aumento registrado está associado a vários fatores urbanos. Entre eles, ela citou o desmatamento em andamento na cidade, a impermeabilização do solo por obras de construção civil e outras intervenções públicas, o elevado tráfego de veículos motorizados que consomem combustíveis fósseis e a presença de equipamentos de refrigeração que, embora resfriem ambientes internos, dissipam ar quente para o exterior.
Além de consolidar os dados sobre temperatura, a equipe responsável pelo trabalho desenvolveu uma plataforma digital gratuita e interativa. A ferramenta foi criada com o objetivo de promover colaboração entre a universidade e a sociedade civil, oferecendo evidências espaciais a partir de dados pesquisados, incluindo informações climáticas, socioeconômicas e urbanas.
De acordo com os pesquisadores, a plataforma tem a finalidade de engajar cidadãos e gestores na fiscalização das ações relacionadas ao plano de ação climática do município, facilitando o acesso a informações que permitam acompanhar e verificar intervenções públicas voltadas às questões ambientais e térmicas.
O trabalho reúne informações coletadas entre 2013 e 2022 e busca fornecer subsídios para debates e monitoramento das mudanças térmicas na cidade, sem, porém, propor medidas específicas no âmbito do estudo divulgado.
Com informações de G1



