Quatro anos após receber o primeiro transplante de coração realizado totalmente pelo SUS na Paraíba, Willis Evangelista comemora melhora significativa na qualidade de vida. Morador de Conde, no Litoral Sul do estado, Willis foi submetido ao procedimento em 26 de março de 2022, no Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, unidade do Governo da Paraíba.
Encaminhado ao Metropolitano após procurar atendimento por mal-estar e receber diagnóstico grave de insuficiência cardíaca, ele passou por consultas e exames antes de ser incluído na fila de transplantes. Depois da cirurgia, hoje, aos 64 anos, Willis afirma praticar atividades físicas, como andar de bicicleta, produzir doces caseiros e levar rotina mais ativa e independente.
Recuperação e acompanhamento
A cardiologista Tauanny Frazão, coordenadora do ambulatório de transplante do Hospital Metropolitano e responsável pelo acompanhamento médico desde o procedimento, destaca a evolução clínica do paciente. Segundo ela, Willis deixou para trás sintomas como cansaço aos menores esforços, dificuldades para dormir e idas frequentes ao pronto-socorro, passando a apresentar rotina estável e sem sinais de rejeição.
O primeiro transplante de Willis é apontado pela equipe médica como um marco para a rede pública estadual, demonstrando a capacidade de realizar procedimentos de alta complexidade no SUS. Desde então, o Metropolitano já contabilizou 20 transplantes cardíacos, sendo nove realizados somente em 2025, entre eles um procedimento pediátrico. A unidade é a única da rede pública da Paraíba habilitada para transplante cardíaco em adultos e opera com estrutura moderna, equipe especializada e articulação com a Central Estadual de Transplantes, o Corpo de Bombeiros e a rede hospitalar estadual.
Doação e impacto
O órgão que beneficiou Willis veio de um doador de 20 anos. Conforme relato da equipe, quando tinha 15 anos o jovem havia manifestado à mãe a vontade de doar órgãos se algo lhe acontecesse; com a confirmação de morte encefálica, a família autorizou a doação. Além do coração, foram aproveitados córneas, fígado, rins e pele.
Willis demonstrou gratidão à família do doador e disse que o gesto permitiu a ele uma nova oportunidade de vida. Para a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (Cihdott) do Metropolitano, Patrícia Monteiro, o paciente serve de exemplo por sua assiduidade nas consultas, disciplina nos exames e cumprimento das orientações médicas, ressaltando que a doação foi determinante para o desfecho positivo.
A diretora-geral do Hospital Metropolitano, Louise Nathalie, afirmou que completar quatro anos desde o primeiro transplante cardíaco 100% financiado pelo SUS na Paraíba é motivo de orgulho para a unidade, para as equipes envolvidas e para o sistema público de saúde.
Willis afirmou ainda que a experiência o transformou pessoalmente, levando-o a valorizar mais a vida e as relações com os outros.
Com informações de Paraiba




