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As contas externas do Brasil registraram saldo negativo de US$ 5,614 bilhões em fevereiro, informou o Banco Central (BC) nesta sexta-feira (27). O resultado representa quase a metade do déficit apurado em fevereiro de 2025, quando o rombo nas transações correntes atingiu US$ 10,245 bilhões.

Segundo Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, o país tem apresentado uma trajetória de queda do déficit externo pelo terceiro mês consecutivo, com redução acumulada de US$ 12,1 bilhões nas contas externas.

Composição do resultado

A melhora em fevereiro decorreu, em grande parte, do incremento de US$ 4,6 bilhões no superávit da balança de bens, impulsionado pelo aumento das exportações e pela queda das importações. As exportações de bens totalizaram US$ 26,383 bilhões no mês, alta de 14,8% ante fevereiro de 2025, enquanto as importações somaram US$ 22,876 bilhões, recuo de 5,1% na mesma comparação.

Com esses números, a balança comercial fechou fevereiro com superávit de US$ 3,507 bilhões, ante saldo negativo de US$ 1,123 bilhões em fevereiro de 2025. O déficit da conta de serviços ficou em US$ 3,921 bilhões, patamar semelhante ao observado em fevereiro de 2025.

Na conta de renda primária, o déficit foi de US$ 5,640 bilhões em fevereiro, 2,1% acima do registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 5,523 bilhões). A conta de renda secundária apresentou superávit de US$ 440 milhões, contra US$ 290 milhões em fevereiro de 2025.

Financiamento e investimentos

O Banco Central informou que o restante do resultado negativo das contas externas foi financiado por capitais de longo prazo, com destaque para os investimentos diretos no país (IDP), considerados de boa qualidade por apresentarem fluxos e estoques estáveis. Em fevereiro, o IDP somou US$ 6,754 bilhões, contra US$ 10,039 bilhões em igual mês de 2025.

No acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro, os investimentos diretos recuaram para US$ 75,852 bilhões (3,24% do PIB), ante US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB) no mês anterior e US$ 78,276 bilhões (3,64% do PIB) no período encerrado em fevereiro de 2025.

Em relação a investimentos em carteira no mercado doméstico, houve ingresso líquido de US$ 5,366 bilhões em fevereiro. Nos 12 meses até fevereiro, esses ingressos somaram US$ 29,3 bilhões, ante US$ 24,9 bilhões nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026 e saídas líquidas de U$ 5,3 bilhões no acumulado até fevereiro de 2025.

O estoque de reservas internacionais alcançou US$ 371,074 bilhões em fevereiro, alta de US$ 6,706 bilhões em relação ao mês anterior.

No horizonte de 12 meses encerrados em fevereiro, o déficit em transações correntes foi de US$ 63,444 bilhões, equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB). No período equivalente terminado em fevereiro de 2025, o déficit em 12 meses havia sido de US$ 78,980 bilhões, ou 3,67% do PIB.

O Banco Central também destacou que as exportações estão em níveis recordes nas comparações por mês de fevereiro, no acumulado do ano e nos últimos 12 meses, com avanços em diversos setores, enquanto a redução das importações reflete desaceleração da atividade econômica doméstica alinhada à política monetária de maior taxa de juros.

Com informações de Agência Brasil