O ex-assessor parlamentar Jerônimo Arlindo da Silva Júnior, conhecido no meio político como Júnior do Peixe, foi apontado pelo relator da CPMI do INSS entre os indiciados do caso. O relatório, apresentado pelo deputado federal Alfredo Gaspar (União) nesta sexta-feira (27), sustenta que ele atuou como elo político do esquema de fraudes em benefícios previdenciários e ainda será submetido à votação pelos membros da comissão.

Quem e como

Segundo o documento da CPMI, Júnior ocupava posição estratégica ao integrar a estrutura do gabinete do deputado federal Hugo Motta (Republicanos) e, ao mesmo tempo, articular interesses da CONAFER — entidade da qual foi diretor. A investigação descreve que essa sobreposição de funções teria permitido à organização investigada obter acesso privilegiado a instâncias decisórias e remover entraves administrativos.

Quebra de sigilos e menções

O nome de Jerônimo emergiu nas apurações em setembro do ano passado, quando foi citado no depoimento do presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes. Em dezembro, a CPMI determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do paraibano, medida que aprofundou a investigação.

Valores e movimentações

O relatório indica que, entre novembro de 2020 e agosto de 2025, Júnior do Peixe recebeu R$ 998.553,30 diretamente da CONAFER e de operadores ligados ao grupo investigado. Além disso, as quebras de sigilo bancário apontaram que, entre 2015 e 2025, ele movimentou a crédito o total de R$ 7.827.261,45.

Para a comissão, tais cifras são incompatíveis com os vencimentos de quem exercia cargo de assessor parlamentar, sugerindo que as contas do indiciado funcionavam como um “canal de trânsito de recursos de origem não declarada”. A CPMI também registra que ele teria usado a função pública para pressionar por reversão de sanções e manter descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões.

Indiciamentos e resposta

Com base nas evidências levantadas, o relator pediu o indiciamento de Jerônimo Arlindo da Silva Júnior pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e advocacia administrativa, considerando sua atuação “indispensável” para a sustentação política do esquema. O relatório sustenta que o ex-assessor transformou o cargo em instrumento de pressão e lobby institucional.

Em agosto do ano passado, Júnior do Peixe foi nomeado assessor técnico de projetos da Secretaria de Agropecuária e Pesca da Paraíba, com lotação em Brasília. A aprovação do relatório depende do voto da maioria dos 32 membros da CPMI — são necessários pelo menos 17 votos favoráveis — e o texto menciona que entre os indiciados estão 216 pessoas, incluindo o filho do presidente da República, Fábio Luís da Silva.

Em contato anterior com o Jornal da Paraíba, o ex-assessor afirmou que os pagamentos recebidos eram compatíveis com sua formação profissional e respaldados por contratos, negando irregularidades. A reportagem solicitou novo posicionamento após o indiciamento; o texto será atualizado caso ele se manifeste.

Com informações de Jornaldaparaiba