Uma cliente morreu e mais de 100 pessoas procuraram atendimento médico em Pombal, no Sertão da Paraíba, após relatarem sintomas de intoxicação alimentar depois de consumirem produtos de uma pizzaria do município. O caso, ocorrido em meados de março, é investigado pela Polícia Civil, pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa-PB).
Laudo do Lacen
Exames realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) analisaram sete amostras de alimentos do estabelecimento, entre pizzas, molhos e carnes. Seis dessas amostras apresentaram resultado positivo para as bactérias Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Nenhuma amostra detectou Salmonella.
Com base nesses achados, a principal hipótese técnica é que a contaminação tenha ocorrido por manipulação inadequada dos alimentos, possivelmente por contato de um manipulador com ferimento nas mãos, o que facilitaria a proliferação de Staphylococcus aureus.
Casos e vítima
O surto, registrado a partir de relatos na noite de domingo (15), provocou náuseas, vômitos e dores abdominais em dezenas de clientes. A servidora municipal Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 40 anos, morreu em consequência do quadro. As amostras analisadas foram encaminhadas à Vigilância Sanitária e ao Instituto de Polícia Científica para prosseguimento das perícias.
Investigações em curso
Na esfera criminal, a Polícia Civil apura dois crimes: venda de alimento impróprio para o consumo e homicídio culposo. Foram coletadas amostras do corpo da vítima e de alimentos para exames toxicológicos. A autoridade policial já declarou considerar improvável a hipótese de envenenamento intencional.
O MPPB abriu procedimento administrativo e solicitou informações às demais instituições envolvidas para avaliar medidas cabíveis. A Agevisa-PB conduz as ações relacionadas à vigilância sanitária.
Vistoria e irregularidades
A Vigilância Sanitária de Pombal interditou o estabelecimento na segunda-feira (16). Em vistoria realizada pela Agevisa na manhã de terça-feira (17), foram constatadas falhas como presença de insetos, ausência de documentação obrigatória, armazenamento inadequado de alimentos, condições térmicas impróprias, equipamentos corroídos e reaproveitamento de vasilhames. O inspetor sanitário Sérgio Freitas informou que as irregularidades tornavam o funcionamento do local inviável.
Produtos sob investigação e depoimentos
A investigação criminal apura se a pizza de carne de sol na nata consumida pela vítima pode ter sido a responsável pelos episódios. Segundo o delegado Rodrigo Barbosa, é preciso verificar se a causa foi alimento estragado, contaminação acidental ou presença de tóxico. Um administrador do estabelecimento declarou que a carne foi comprada no sábado (14) e a nata foi preparada na tarde do mesmo dia, um dia antes do consumo.
O proprietário do estabelecimento, Marcos Antônio, afirmou por meio de sua advogada que lamenta os fatos, que está colaborando com as apurações e fornecendo amostras aos órgãos responsáveis. O padrasto do dono, que atua como administrador, já prestou depoimento.
Os resultados das perícias e as investigações policiais e sanitárias seguem em andamento para esclarecer a origem da contaminação e as responsabilidades.
Com informações de Jornaldaparaiba



