A taxa média de juros cobrados pelos bancos às famílias avançou em fevereiro, com os custos do cartão de crédito rotativo pressionando com força os orçamentos domésticos. Segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC), a taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas subiu 1 ponto percentual (p.p.) no mês e 5,4 p.p. em 12 meses, alcançando 62% ao ano.

O destaque do mês foi a elevação de 11,4 p.p. na taxa do cartão de crédito rotativo, que chegou a 435,9% ao ano — uma das maiores do mercado. Apesar da limitação na cobrança do rotativo em vigor desde janeiro de 2024, a variação das taxas não apresentou queda expressiva, pois a medida busca reduzir o endividamento sem alterar a taxa pactuada no momento da contratação.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro, entretanto, os juros do rotativo registraram queda de 16,7 p.p. O crédito rotativo dura 30 dias e ocorre quando o consumidor paga menos que o valor integral da fatura, passando a incorrer em juros sobre o montante não quitado. Após esse período, as instituições financeiras costumam parcelar a dívida; nessa modalidade de cartão parcelado, os juros subiram 5,3 p.p. no mês e 16,9 p.p. em 12 meses, atingindo 200,2% ao ano.

No segmento de pessoas jurídicas, as novas contratações de crédito livre tiveram juros médios que recuaram 0,1 p.p. no mês e subiram 1,1 p.p. em 12 meses, para 24,9% ao ano. Entre as operações de capital de giro com prazo de até 365 dias houve queda de 3,1 p.p. no mês e de 1,8 p.p. em 12 meses, situando-se em 22,5% ao ano — movimento apontado pelo BC como determinante para o resultado mensal.

No crédito direcionado, que segue regras do governo e atende setores como habitacional, rural e infraestrutura, a taxa para pessoas físicas ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com queda de 0,3 p.p. em relação a janeiro e alta de 0,3 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa subiu 0,2 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses, chegando a 13,2% ao ano.

Panorama agregado e saldo de crédito

Considerando recursos livres e direcionados, para famílias e empresas, a taxa média de juros das concessões em fevereiro aumentou 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em 12 meses, alcançando 33% ao ano. O spread bancário também cresceu, subindo 0,5 p.p. no mês e 2,8 p.p. em 12 meses.

Em fevereiro, as concessões de crédito totalizaram R$ 602,3 bilhões. Ajustadas sazonalmente, as liberações recuaram 0,5% no mês, com redução de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e avanço de 0,3% nas operações com famílias. Em 12 meses, as concessões nominais cresceram 8,2%: 8,1% nas empresas e 8,3% nas pessoas físicas.

O estoque total de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional atingiu R$ 7,145 trilhões, alta de 0,4% ante janeiro, resultado de expansão de 0,6% na carteira para famílias (R$ 4,491 trilhões) e estabilidade no crédito às empresas (R$ 2,653 trilhões). O crédito ampliado ao setor não financeiro ficou em R$ 21,043 trilhões, com aumento de 1,1% no mês, impulsionado pelo avanço de 2% em títulos públicos e privados de dívida.

Endividamento e inadimplência

A inadimplência (atrasos acima de 90 dias) subiu 0,2 p.p. no mês e 1 p.p. em 12 meses, alcançando 4,3% em fevereiro — sendo 5,2% nas operações com pessoas físicas e 2,6% com pessoas jurídicas. O endividamento das famílias, medido pela relação entre saldo das dívidas e renda acumulada em 12 meses, situou-se em 49,7% em janeiro, estável no mês e 1,1 p.p. maior em 12 meses; excluído o financiamento imobiliário, o índice foi de 31,3%. O comprometimento da renda ficou em 29,3% em janeiro, alta de 0,1 p.p. no mês e 1,6 p.p. em 12 meses.

O comportamento das taxas acompanha o ciclo da Selic, que está em 14,75% ao ano após redução de 0,25 p.p. na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O Banco Central indicou que poderá rever o ciclo de queda diante das incertezas internacionais, com próxima reunião do Copom marcada para abril.

Com informações de Agência Brasil