O uso de Inteligência Artificial (IA) generativa já integra o cotidiano de boa parte dos brasileiros: pesquisa conjunta da Ipsos com o Google aponta que 54% dos brasileiros utilizaram esse tipo de ferramenta em 2024, acima da média global de 48%. O mesmo levantamento indica que 65% dos entrevistados acreditam que a tecnologia pode trazer benefícios em diferentes áreas da vida.

Com a difusão dessas ferramentas, cresce a pergunta sobre qual a melhor forma de formular pedidos — os chamados prompts — para obter respostas mais precisas. O especialista em inteligência artificial Yuri Malheiros afirma que não existe uma receita única, mas ressalta que a forma como a solicitação é feita altera o resultado.

O que é um prompt

Prompt é o comando ou instrução que o usuário entrega à IA para que ela saiba o que produzir, para quem e com que formato. Atualmente, além de texto, prompts podem incluir imagens, arquivos e áudio. Quanto mais específico e claro for o pedido, maior a probabilidade de a resposta atender às expectativas, segundo Malheiros.

Quando o comando é vago, a IA tende a oferecer respostas baseadas no que é mais frequente nos grandes conjuntos de dados que utiliza, o que geralmente resulta em respostas genéricas.

Como estruturar um bom prompt

Especialistas recomendam priorizar clareza e contexto. Informar o destinatário da resposta, o objetivo buscado e o formato desejado ajuda a ferramenta a adequar o resultado. Três pilares são apontados como fundamentais ao escrever um prompt:

  • Intenção: definir a tarefa e o tema principal;
  • Contexto: indicar para quem a resposta se destina e qual registro de linguagem usar;
  • Estrutura: organizar o formato e o tamanho da entrega.

Como exemplo prático, ao pedir a redação de um documento formal destinado a um setor da empresa, é útil fornecer exemplos de solicitações e especificar claramente o que se espera. Esse nível de detalhamento aumenta as chances de a IA gerar uma resposta satisfatória.

Educação nas interações e qualidade das respostas

Levantamento da Talk Inc mostra que 60% dos brasileiros interagem com chats de IA de forma educada, como se conversassem com outra pessoa. Um estudo publicado em 2024 indicou que Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) tendem a responder melhor a perguntas formuladas de maneira cortês. Segundo Malheiros, isso não significa que a IA “compreenda” educação como um humano, mas sim que seu comportamento reflete os padrões presentes nos dados usados no treinamento.

Portanto, pedidos protocolados como “aja como um especialista” ou elogios não são garantia de qualidade; o fator determinante continua sendo a riqueza de informação e as instruções claras contidas no prompt.

Erros comuns

Entre equívocos frequentes estão a relutância em fornecer prompts mais longos e detalhados. Muitas ferramentas suportam entradas extensas, o que permite contextualizar melhor o pedido. Para tarefas simples, como indicar um restaurante, comandos curtos costumam bastar. Já em solicitações que exigem critérios específicos — por exemplo, pesquisas acadêmicas — é necessário direcionar explicitamente a IA a usar fontes científicas; caso contrário, ela pode recorrer a fontes não acadêmicas que são mais abundantes na internet.

A adoção de práticas que priorizem clareza, contexto e estrutura melhora a probabilidade de respostas úteis e alinhadas ao objetivo do usuário.

Com informações de Jornaldaparaiba