Consulado busca parentes de médica encontrada morta em João Pessoa

O Consulado da França no Brasil entrou em contato com o Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa para identificar e localizar os familiares de Chantal Etiennette Dechaume, de 73 anos, médica de nacionalidade francesa encontrada morta em março na capital paraibana. A informação foi confirmada pelo diretor do IML, Flávio Fabres.

Segundo Fabres, o instituto aguarda a conclusão de exames complementares para finalizar o laudo cadavérico. “Estamos aguardando finalização de exames complementares para finalização do laudo. Quanto terminar aí, podemos concluir o exame cadavérico e o corpo estará disponível para trâmites funerários”, afirmou o diretor. O IML também informou que o corpo do suspeito, Altamiro Rocha dos Santos, permanece no instituto e que nenhum familiar procurou o órgão para providenciar os procedimentos funerários.

Chantal foi encontrada carbonizada no dia 11 de março. A Polícia Civil relata que ela foi morta por Altamiro Rocha dos Santos, com quem mantinha relacionamento. O homem foi localizado morto no dia 12 de março, um dia após a descoberta do corpo da mulher; o corpo dele estava no bairro João Agripino, com as mãos amarradas e sinais de decapitação, além de uma lesão profunda no pescoço.

A Polícia Civil já havia acionado o consulado francês anteriormente, conforme informou o delegado responsável pela investigação, Thiago Cavalcanti. Pelo que foi informado ao delegado, caberá aos familiares da vítima indicar um advogado para tratar do processo de traslado do corpo para a França, quando for o caso.

De acordo com a investigação, Altamiro não tinha renda fixa e recebia sustento financeiro de Chantal, que recebia aposentadoria do exterior estimada em R$ 40 mil. Os dois teriam se conhecido na orla de João Pessoa, onde ele vendia artesanato. Durante a pandemia, ela chegou a abrigá-lo e os dois iniciaram relacionamento, que, segundo a polícia, teria se deteriorado em razão do uso de drogas por parte de Altamiro. A vítima teria demonstrado intenção de encerrar a relação.

A apuração também identificou o homem que ateou fogo na mala onde estava o corpo da francesa; ele vive em situação de rua e ainda não foi localizado. Segundo a polícia, ele teria recebido uma porção de droga para incendiar a mala a pedido do namorado da vítima e, embora deva ser ouvido, pode não ser responsabilizado criminalmente por não ter participação direta na morte.

Perícias confirmaram a presença de sangue no apartamento onde Chantal morava. Imagens de circuito de segurança mostram Altamiro descendo com a mala contendo o corpo da mulher no prédio onde residiam, no bairro de Manaíra. A Polícia Civil registra a cronologia dos principais eventos, incluindo que a vítima saiu do apartamento no dia 7 de março às 17h35 (Brasília UTC-3) e que, na terça-feira, 10 de março, a mulher já estaria morta, conforme os elementos da investigação.

A principal linha de apuração considera possível relação entre a morte de Altamiro e a atuação de integrantes de uma facção criminosa, em reação à repercussão do crime e à presença policial na região. Até o momento, ninguém foi preso.

Com informações de G1