O município de Cabedelo enfrentou, na última década, sequência de renúncias, cassações e operações policiais que abalaram a administração local. Cinco ex-prefeitos — Luceninha, Leto Viana, Vitor Hugo, André Coutinho e Edvaldo Neto — estiveram no centro de investigações, decisões judiciais e mudanças de comando municipal. A seguir, o que se sabe sobre cada um deles.
Luceninha
José Maria de Lucena Filho, conhecido como Luceninha, foi eleito prefeito em 2012 pelo PMDB com 78,04% dos votos e tomou posse em 1º de janeiro de 2013. Ainda naquele ano, apresentou renúncia alegando dificuldades financeiras da prefeitura, e o vice Leto Viana assumiu o cargo. Desdobramentos da Operação Xeque-Mate, deflagrada em 2018, voltaram a relacionar o nome de Luceninha a apurações judiciais. Décadas de atuação social, esportiva e na saúde em Cabedelo foram citadas por ele em declarações públicas. Em 2024, Luceninha disputou uma vaga na Câmara Municipal pelo União Brasil na tentativa de retornar à cena política.
Leto Viana
Wellington Viana França, conhecido como Leto Viana, era vice de Luceninha e assumiu a prefeitura após a renúncia do titular, sendo posteriormente confirmado no cargo por eleição suplementar. Em abril de 2018, a Operação Xeque-Mate levou ao seu afastamento; a ação da Polícia Federal resultou em prisões de agentes públicos e em sua suspensão também pela Câmara Municipal. No dia 16 de outubro de 2018, Leto formalizou sua renúncia. Desde então, segundo nota encaminhada ao portal, manteve postura discreta, dedicou-se ao estudo do processo judicial, atua como servidor público efetivo do município e às atividades familiares, e informou que pretende apoiar candidaturas em 2026 ao lado da esposa Jacqueline Monteiro.
Vitor Hugo
Vitor Hugo Castelliano assumiu como prefeito interino em abril de 2018, na sequência da prisão de Leto Viana, quando exercia a presidência da Câmara Municipal. Permanecendo até as eleições suplementares de março de 2019, foi eleito com cerca de 73% dos votos. Posteriormente, seu mandato foi cassado pela Justiça Eleitoral, o que levou à convocação de novo pleito. Nos anos seguintes manteve atuação pública e partidária: em 2023 assumiu a presidência estadual do Avante após convite do deputado federal Luis Tibé; em 2025 ocupou o cargo de secretário de Turismo de João Pessoa e deixou a pasta no mesmo ano para disputar vaga na Assembleia Legislativa da Paraíba como candidato a deputado estadual.
André Coutinho
André Coutinho venceu as eleições suplementares de 2024 e assumiu a prefeitura com sua esposa, Camila Holanda, na vice-presidência. Em 2025 o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba cassou os mandatos de ambos por acusações de irregularidades no pleito, incluindo suspeitas de compra de votos e suposto envolvimento de facções criminosas durante a campanha. Em vídeo, André afirmou aguardar que a Justiça esclareça os fatos e puna eventuais responsáveis. Em 2026, tentou suspender os efeitos da cassação junto ao Supremo Tribunal Federal, pedido que foi negado pelo ministro André Mendonça, mantendo a decisão que levou à convocação de novas eleições suplementares.
Edvaldo Neto
Edvaldo Neto assumiu interinamente a prefeitura após a cassação de André Coutinho e Camila Holanda e foi eleito em eleição suplementar realizada em abril de 2026. Poucos dias depois da vitória, foi afastado pela Polícia Federal durante a Operação Cítrico, que investiga suposto esquema de fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e financiamento de organização criminosa. A apuração aponta suspeitas de direcionamento de contratos a empresas ligadas à facção identificada como “Tropa do Amigão”, apontada como braço do Comando Vermelho. Em pronunciamento nas redes sociais, Edvaldo declarou respeitar as investigações e afirmou que os fatos apurados ocorreram antes de sua gestão interina.
As mudanças de comando e as investigações marcaram a última década em Cabedelo, provocando sucessivas eleições suplementares e decisões judiciais que ainda repercutem na administração municipal.
Com informações de Polemicaparaiba



