A Paraíba vem ampliando sua influência no debate político nacional, enquanto temas de costumes avançam entre as preocupações do eleitorado, segundo especialistas ouvidos. Economia e programas sociais continuam no topo das prioridades dos paraibanos, mas pautas conservadoras têm crescido, sobretudo nas áreas do interior e entre evangélicos, sem, no entanto, superar as demandas materiais.

O professor e pesquisador em ciência política, comunicação eleitoral e marketing político Rodolpho Raphael observa que o comportamento eleitoral local espelha tendências nacionais: eleitores de baixa renda priorizam questões econômicas e benefícios sociais, enquanto a classe média urbana dá maior peso a valores e identidade política. Em 2022, Jair Bolsonaro teve desempenho inferior à média do país na Paraíba, e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o segundo turno em todas as cidades do Estado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Rodolpho destaca que a direita no estado ainda está em processo de consolidação, com voto conservador robusto especialmente no Sertão e no Agreste, mas descolado da figura de Bolsonaro. Para 2026, ele considera a Paraíba estrategicamente relevante de forma relativa: o estado possui 3.225.312 eleitores aptos a votar, um número representativo no Nordeste que, em disputas apertadas, pode influenciar resultados presidenciais ao compor o bloco nordestino.

Na propaganda eleitoral, a expectativa é que a imagem da Paraíba seja explorada por meio de projetos de infraestrutura hídrica, a transposição do Rio São Francisco e os avanços do agronegócio no Sertão. O ex-governador João Azevêdo (PSB) consolidou uma narrativa de gestão técnica que pode ser utilizada por candidaturas alinhadas, enquanto resistências políticas locais tendem a ser menos enfatizadas em materiais publicitários.

Rodolpho aponta três movimentos que podem marcar 2026: fragmentação do voto com menor fidelidade partidária e mais atenção a candidatos com atuação local; formação de alianças de última hora, comuns no pragmatismo político nordestino; e crescimento do voto evangélico, capaz de redesenhar o mapa eleitoral em municípios do interior. A consequência, segundo ele, será maior volatilidade e necessidade de campanhas segmentadas e presença digital constante.

A direita paraibana busca disputar espaço de forma mais estruturada, com pré-candidaturas próprias ao Senado e ao Governo Estadual, entre elas Marcelo Queiroga (PL) ao Senado e Efraim Filho (PL) ao governo. Rodolpho afirma que Efraim precisa construir liderança local legítima, já que o eleitor nordestino valoriza entregas concretas.

Lucas Ribeiro (PP), atual governador da Paraíba, aparece como fenômeno de crescimento nas pesquisas, refletindo transferência de capital político associada à imagem de gestão técnica de João Azevêdo. Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa, também figura como pré-candidato, mas sua saída da prefeitura para disputar o governo o deixou estagnado nas pesquisas, segundo o especialista.

“Campanha de legados”

No plano nacional, a polarização entre direita e esquerda permanece intensa e, conforme o pesquisador, a disputa em 2026 deve se dar mais por legados do que por temas ou figuras, tornando o voto mais identitário do que programático. Esse tipo de campanha privilegia avaliações do passado e a mobilização da memória afetiva em detrimento de propostas prospectivas, o que pode favorecer quem consegue conectar-se emocionalmente com o eleitor.

O fortalecimento da bancada paraibana em Brasília também é apontado como fator eleitoral: nomes como o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), o senador Veneziano Vital (MDB) e o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, contribuem para a percepção de que a Paraíba tem voz no governo federal, algo que candidatos usam para afirmar atuação favorável ao Estado. Ítalo Fittipaldi, professor do Programa de Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais da UFPB, ressalta que essa presença em Brasília transmite ao eleitor a ideia de maior velocidade na implementação de políticas públicas.

Além disso, a dinâmica entre executivas estaduais e diretórios nacionais de partidos mostra que a Paraíba busca alinhar sua executiva estadual aos interesses federais, enquanto mantém prática comum de alianças entre campos ideológicos distintos no âmbito local. Para Ítalo, reconhecer as prioridades do eleitor paraibano será determinante para vencer as eleições, em um cenário em que o voto tende a ser cada vez mais identitário e em que candidatos extremistas têm menor probabilidade de sucesso local.

Com informações de Polemicaparaiba