A Paróquia Nossa Senhora das Dores, conhecida como “Dorinha”, localizada na Avenida Coronel Calixto, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, foi demolida em agosto de 2025 após a identificação de compromissos estruturais que, segundo o pároco Paulo Henrique, teriam surgido depois de obras públicas realizadas em frente ao templo.

De acordo com o padre, a prefeitura começou a construir uma praça em janeiro de 2025 na área em frente à paróquia. Durante o início dos trabalhos, a calçada lateral do prédio foi retirada — o que, conforme a comunidade, expôs a estrutura da igreja e provocou infiltrações e fissuras, agravadas pelas chuvas de maio do mesmo ano. Tapumes instalados para proteção chegaram a ser furtados.

Após avaliações técnicas que indicaram risco de desabamento e com anuência da Arquidiocese da Paraíba, o prédio foi demolido por questões de segurança. A Arquidiocese informou ao g1 que acompanha o caso e que o relato do padre coincide com o entendimento da instituição. A reportagem também procurou a Prefeitura de João Pessoa e a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) sobre a possível falha na obra, mas não obteve retorno até a última atualização.

O pároco relata que equipes técnicas sugeriram reforços, como reconstrução de paredes, adição de colunas e vigas, mas que as alternativas não avançaram por ausência de garantias de segurança. Segundo ele, a gestão municipal negou responsabilidade pelo ocorrido e não se prontificou a colaborar na reconstrução. Paulo Henrique ressaltou ainda que a igreja foi erguida em 1944, passou por duas reformas ao longo dos anos e foi o primeiro templo do bairro, que completou 43 anos na última quinta-feira (23).

O projeto de reconstrução, elaborado por fiéis, está orçado em R$ 2,2 milhões e dividido em três etapas: aterro e construção do muro; fundação e montagem da estrutura pré-moldada; e fechamento em alvenaria. A antiga matriz tinha cerca de 350 metros quadrados; a proposta prevê um novo prédio de aproximadamente mil metros quadrados, com capacidade para 716 pessoas sentadas. Até o momento já foram executadas drenagem pluvial, demolição da antiga matriz e devolução do terreno.

A prioridade, conforme a paróquia, é erguer o muro por questões de segurança. A previsão de início dessa etapa era 15 de abril, porém, segundo verificação do g1 no local, a obra ainda não começou. Para viabilizar a reconstrução, a comunidade abriu em março de 2026 uma campanha de arrecadação e formou uma equipe de paroquianos para auxiliar no processo. Enquanto isso, celebrações e sacramentos têm sido adaptados a espaços provisórios.

A demolição também prejudicou fiéis que já haviam marcado cerimônias na igreja. Uma frequentadora, que preferiu não ser identificada, relatou ter tido que cancelar o casamento marcado para novembro de 2025 ao receber a notícia da demolição e buscar alternativa de última hora.

Moradores de Mangabeira apontam ainda problemas de manutenção em outras praças do bairro. Na Praça Bosque das Águas há relatos de acúmulo de lixo, brinquedos quebrados e uma ponte danificada com consertos improvisados; na Rua Airton Pinheiro de Farias foram apontados entulhos, pontos com água parada e falta de iluminação; e na Rua Francisco Rocha Ferreira há queixas sobre brinquedos danificados, vegetação sem poda e quadras esportivas com grades quebradas e ferrugem. A Secretaria de Serviços Urbanos e Zeladoria (Sesuz) informou que enviou equipe ao local em 22 de abril e afirmou que todas as praças de Mangabeira receberão serviços de zeladoria e manutenção em 30 dias.

Enquanto a comunidade organiza esforços para reconstruir a igreja, líderes e fiéis aguardam respostas e apoio das autoridades para assegurar a reabilitação do patrimônio e a retomada das atividades religiosas no local.

Com informações de G1