Após sete anos de portas fechadas, o Novo Mercado São José, em Laranjeiras, zona sul do Rio de Janeiro, voltou a funcionar esta semana com 16 operações voltadas à gastronomia e à cultura. O espaço, tombado como patrimônio municipal desde 1994, recebeu investimento privado de R$ 10 milhões para revitalização e agora abriga desde hortifruti orgânico até sorvetes veganos, funcionando de terça-feira a domingo, das 10h às 22h, na Rua das Laranjeiras, 90.
Compra do imóvel e concessão
Fechado em 2018, quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retomou judicialmente o prédio, o mercado foi adquirido pela Prefeitura do Rio em 2023 por R$ 3 milhões, incluindo o terreno adjacente. Em seguida, a Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) realizou chamada pública e escolheu o consórcio liderado pela Engeprat, com curadoria da Junta Local, para administrar o local pelos próximos 25 anos.
Empreendimentos e geração de empregos
O retorno da atividade comercial abriu oportunidades para pequenos negócios firmarem sua primeira loja física. É o caso do restaurante Basta, especializado em massas, comandado pelo chef Mauricio Borges, 28 anos, formado na escola Le Cordon Bleu, e pela sócia Ellen Gonzalez. Segundo Borges, a demanda tem sido alta e a equipe já está em expansão.
Outra estreante é a queijaria Rancho das Vertentes, que comercializa produtos artesanais próprios e de outros produtores. A sócia Sandra Cardoso, 59 anos, comenta que o ponto fixo era um antigo objetivo do negócio, anteriormente presente apenas nas feiras da Junta Local.
De acordo com o cofundador da Junta Local, Thiago Nasser, cerca de 150 empregos foram gerados diretamente com a reabertura. “Queríamos resgatar a tradição de um mercado composto por produtores locais, como na fundação em 1944”, afirmou.
Visitação do público
Moradores e antigos frequentadores aprovaram as mudanças. O empresário aposentado Luis Sérgio Santos, 73 anos, levou o cachorro Zé para conhecer o espaço renovado. Ele recorda que o imóvel, de traços coloniais, precisava de reforma. “Agora está mais confortável, moderno e bem estruturado”, declarou, torcendo pelo retorno da programação musical.
A farmacêutica Luiza Gotin, 39 anos, moradora de Laranjeiras desde 2020, conta que só conheceu o prédio em estado de abandono. “A revitalização trouxe segurança e um ponto de encontro com restaurantes. Foi um presente para o Rio”, disse.
Imagem: Internet
História do prédio
Antes de se tornar mercado, o imóvel funcionou como senzala e celeiro de uma fazenda localizada no atual Parque Guinle, ainda no período imperial. A adaptação para espaço de abastecimento ocorreu em 31 de maio de 1944, por iniciativa do presidente Getúlio Vargas, com o objetivo de oferecer alimentos a preços acessíveis durante a Segunda Guerra Mundial.
O local integrou um grupo de mercados comunitários cariocas batizados com nomes de santos — São Sebastião, São Bento, São Rafael, São Lucas e São Paulo — e, após revitalização em 1988, tornou-se ponto tradicional da boemia da cidade. Com a deterioração da estrutura, foi fechado em 2018, mas a realidade, agora, é novamente de movimento constante.
Com a nova fase, a expectativa dos gestores é consolidar o endereço como polo gastronômico e cultural, mantendo a característica de reunir produtores locais e oferecendo atrações que atraiam moradores e turistas.
Com informações de Agência Brasil



