O condomínio onde um elevador despencou deixando três pessoas feridas, no bairro do Altiplano, em João Pessoa, já havia aberto ação judicial contra a construtora responsável pelo empreendimento, conforme documentos obtidos pela Rede Paraíba. O processo foi instaurado na 7ª Vara Cível da Capital e apontava problemas estruturais e falhas nos equipamentos de elevação.
A construtora GGP, procurada, afirmou em nota que “a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses equipamentos” e declarou estar à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar com as investigações. A empresa não respondeu até a última atualização sobre as alegações relativas a defeitos estruturais e ao processo judicial.
Processo e laudo técnico
Na ação, o condomínio relatou vícios nos elevadores mesmo após a entrega do prédio, ocorrida em setembro de 2023. Foram citados incêndio no fosso do elevador do Bloco B, queda abrupta em elevador do Bloco D, travamentos, interrupções frequentes e falhas nos sistemas de segurança. O condomínio também afirmou que o interfone de emergência dos elevadores estava inoperante e que reclamações administrativas anteriores não teriam sido resolvidas pela construtora.
Um laudo técnico anexado ao processo, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, listou diversas inconformidades no elevador do Bloco B — local onde ocorreu o desabamento —, classificando várias pendências como de alta prioridade e risco à segurança. Entre os problemas apontados estão a ausência de sinalização e controle de acesso à casa de máquinas, falta de extintor adequado, inexistência de iluminação de emergência, falhas no aterramento elétrico, ventilação insuficiente, desorganização da instalação elétrica e ausência de dispositivos de resgate. O laudo também indicou que a máquina de tração não atendia à capacidade de peso da estrutura nem às normas de segurança, recomendando a substituição completa do equipamento.
Em janeiro de 2025, o juiz responsável pelo caso reconheceu que os documentos apresentados demonstravam falhas recorrentes e potencial risco de acidentes graves ou fatais, e determinou a substituição integral dos elevadores. A construtora recorreu da decisão e o processo ainda tramita na Justiça da Paraíba.
O desabamento e o atendimento às vítimas
O elevador caiu do terceiro andar de uma torre do condomínio no fim da tarde de quarta-feira (13). Dentro da cabine estavam uma mulher e duas crianças. Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso; moradores conseguiram abrir a porta da cabine e iniciaram o resgate antes da chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros.
De acordo com relatos de moradores e com a TV Cabo Branco, a mulher apresentava queixas de dores pelo corpo e há suspeita de trauma na medula; ela foi encaminhada ao Hospital de Trauma de João Pessoa e permanece em estado estável. As crianças sofreram escoriações leves e também foram levadas à unidade de saúde, com quadro estável.
A administração do condomínio e os síndicos informaram que irão se manifestar em momento oportuno à imprensa. O caso segue sob apuração pelas autoridades competentes.
Com informações de Jornaldaparaiba



