Acciona, vencedora do leilão promovido pela Cagepa para a prestação de serviços de esgotamento sanitário em 85 municípios paraibanos, foi mencionada em investigação por suspeita de corrupção na Espanha. A empresa espanhola aparece em apurações que apontam pagamento de propina no valor de € 620.000 a integrantes do Partido Socialista espanhol, esquema que envolve um ex-ministro.

Segundo as investigações daquele país, os recursos teriam sido destinados ao ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos. A informação sobre a ligação da Acciona ao caso consta em procedimentos policiais espanhóis que tratam do suposto repasse de valores a políticos do Partido Socialista.

A Acciona já mantém contratos no Brasil, entre eles o maior com o governo de São Paulo para a construção da Linha 6 do metrô, avaliado em R$ 19 bilhões. No setor de saneamento, a empresa atua em estados como Pernambuco, Paraná e Espírito Santo.

Em comunicado encaminhado à coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, a Acciona informou que o ex-funcionário Fernando Agustín Merino Vera foi demitido e que abriu investigação interna para apurar os fatos e eventuais responsabilidades pessoais. A empresa acrescentou que, nas UTEs em que participa, existem compromissos formais de conformidade e ética, submetidos a auditorias periódicas.

A parceria público-privada (PPP) entre a Cagepa e a Acciona prevê investimentos totais de R$ 3 bilhões em 85 cidades do Litoral e do Alto Piranhas da Paraíba. O governo estadual informou que a meta com o projeto é elevar o atendimento de saneamento básico para 90% nas áreas contempladas, atualmente com índices de 46,4% e 6,7% nas duas regiões, respectivamente.

O formato de PPP foi adotado pelo estado como alternativa para atender às exigências do Marco do Saneamento Básico. O governador Lucas Ribeiro comemorou o resultado do certame, que teve como proposta a implementação e operação dos serviços nas cidades incluídas no contrato.

A decisão, porém, tem gerado críticas da oposição, que questiona a concorrência do leilão — apontando que apenas uma empresa participou — e expressa receio de que municípios sem aporte de capital privado sejam negligenciados. Parlamentares oposicionistas também levantaram suspeitas sobre a proximidade da transação com o período eleitoral.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanas da Paraíba (STIUPB) manifestou preocupação com o que classificou como o início do processo de desestatização da Cagepa, considerando o movimento como um momento sensível para os trabalhadores dos serviços públicos de saneamento no estado.

Com informações de Jornaldaparaiba