A direção do Campinense enfrenta uma crise administrativa que levou ao afastamento do presidente Flávio Torreão e do diretor de administração e finanças, Wellington Monteiro da Silva, por decisão unânime do Conselho Deliberativo em reunião extraordinária no último dia 21. Os conselheiros apontaram atrasos salariais, pendências financeiras e problemas na gestão do patrimônio como motivos para a medida.
Motivos do afastamento
Após a boa campanha no Campeonato Paraibano de 2026 — que não culminou em final, mas rendeu ao clube vaga na Série D do Campeonato Brasileiro de 2027 — surgiram reclamações sobre pagamentos em atraso a funcionários e atletas. Em contato com o ge, uma pessoa próxima à diretoria confirmou atrasos que, segundo relatos, chegam a até três meses em alguns casos.
O Conselho Deliberativo emitiu quatro ofícios à Diretoria Executiva cobrando explicações sobre débitos salariais, honorários advocatícios, gestão financeira e conservação do patrimônio. Entre as cobranças estão valores pendentes relativos a um processo junto à FIFA — estimados em cerca de R$ 250 mil referentes ao Mecanismo de Solidariedade — e o desaparecimento de equipamentos, incluindo uma máquina de gelo que, segundo o CD, teria sido encontrada instalada em estabelecimento comercial ligado a um diretor do clube.
Copa Paraíba e planejamento
Há ainda indefinição sobre a participação do Campinense na Copa Paraíba, que volta ao calendário em 2026 e oferece vaga na Copa do Brasil de 2027 ao campeão. A competição tem previsão inicial de partidas em agosto, mas o clube aguarda o cronograma oficial da FPF-PB para definir sua participação e priorizar a captação de recursos para quitar salários atrasados.
Acordos trabalhistas e prazos
O Conselho também demonstrou preocupação com o cumprimento do Regime Centralizado de Execuções, acordo firmado com o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) que exige repasse de 20% da receita do Campinense para quitação de dívidas trabalhistas. Em registro de reunião realizada em 27 de abril, foi informado que o acordo não estaria sendo cumprido, situação que poderia levar a penhoras e restrições ao patrimônio do clube.
Os dirigentes afastados terão 48 horas para entregar documentos, acessos e bens institucionais, e até o dia 20 de junho para apresentar defesa ao Conselho Deliberativo. O relator Francisco Neto emitirá parecer em 1º de julho, quando o Conselho decidirá entre destituição, retorno aos cargos ou prorrogação do afastamento. Enquanto durar o afastamento, o vice-presidente William Simões assume interinamente a presidência.
Com informações de Jornaldaparaiba


