O mercado financeiro ajustou para 5,04% a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2026, ante 4,92% estimado anteriormente. O dado consta do Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (25), levantamento semanal que reúne expectativas de instituições financeiras sobre indicadores econômicos.
A estimativa para a inflação deste ano foi elevada pela décima primeira semana consecutiva e ultrapassa o teto do intervalo de tolerância da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A meta central é de 3%, com faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual — ou seja, limite inferior de 1,5% e superior de 4,5%.
Analistas apontam que a guerra no Oriente Médio tem pressionado os preços dos combustíveis e, por consequência, contribuído para a alta da inflação. Em abril, o IPCA registrou alta de 0,67%, influenciado sobretudo pela elevação nos preços dos alimentos. No acumulado em 12 meses, o índice ficou em 4,39%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda dentro do teto da meta.
Para anos seguintes, o mercado manteve ou ajustou outras estimativas: a projeção para 2027 subiu de 4% para 4,01%; para 2028 a previsão é de 3,65%; e para 2029, 3,5%.
Taxa Selic
Como principal instrumento de política monetária para controlar a inflação, a taxa básica de juros (Selic) está atualmente em 14,5% ao ano, decisão tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na reunião de abril, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, o segundo corte consecutivo, apesar das tensões internacionais.
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos. O Copom não indicou rumos definidos sobre a evolução da taxa na ata mais recente, informando que monitora os impactos do conflito no Oriente Médio. O próximo encontro para definir a Selic ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho.
Na edição atual do Focus, a previsão dos analistas para a Selic ao fim de 2026 ficou em 13,25% ao ano. As estimativas são de queda para 11,25% em 2027 e 10% em 2028, mantendo 10% para 2029.
PIB e câmbio
O boletim também trouxe ajustes nas projeções do crescimento econômico: a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano subiu de 1,85% para 1,89%. Para 2027, a previsão recuou de 1,77% para 1,7%. Para 2028 e 2029, o mercado projeta expansão de 2% em cada ano.
Quanto ao câmbio, a mediana das instituições financeiras aponta a cotação do dólar em R$ 5,17 para o fim de 2026 e em R$ 5,26 ao término de 2027.
As expectativas divulgadas no Focus sintetizam as estimativas de diversas instituições e servem como referência para a atuação do Banco Central na condução da política monetária.
Com informações de Agência Brasil



