O delegado Braz Morroni, da Polícia Civil da Paraíba, foi preso suspeito de integrar uma organização criminosa que desviava drogas de operações policiais para posterior revenda. Decisão da Justiça da Paraíba, à qual o Jornal da Paraíba teve acesso, indica que o delegado recebeu valores oriundos do tráfico dentro de uma delegacia.

Segundo o documento que autorizou prisões e buscas da chamada Operação Perfídus, dois investigadores vinculados ao esquema tentaram reter parte do dinheiro dessa venda ilegal que, conforme a investigação, seria destinada a Braz Morroni. Ao todo, a operação cumpriu nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão; também houve bloqueio de cerca de R$ 10 milhões nas contas dos investigados.

O relatório da Justiça registra que, em 8 de dezembro de 2025, o agente Everton Aires reclamou de cobranças relacionadas às drogas feitas pelo delegado e planejou omitir do chefe uma venda no valor de R$ 18 mil. O segundo investigador citado é Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”. A Justiça considera Braz Morroni o responsável hierárquico do grupo, em razão do cargo que ocupava na corporação.

O texto judicial descreve que a divisão dos recursos visava “reter a cota do delegado e reinvestir no tráfico”. Ainda de acordo com a investigação, 22 dias após o recebimento do dinheiro proveniente da venda das drogas desviadas, Braz Morroni teria ido pessoalmente à delegacia para arrecadar sua parcela em espécie.

A investigação também aponta transferências de Everton Aires para contas ligadas ao delegado, além de escutas telefônicas que, segundo o processo, indicariam a reserva de parte dos lucros para Braz. Conforme o documento, o delegado cobrava agilidade na recuperação de valores de vendas a prazo e utilizava sua posição para oferecer proteção institucional ao grupo.

O que dizem as defesas

A defesa de Braz Morroni afirmou ao Jornal da Paraíba que a decisão judicial se baseou integralmente em relatórios policiais e em conversas indiretas entre agentes e outros investigados, sem qualquer diálogo direto envolvendo o delegado em todos os relatórios. O advogado sustentou que a Polícia Civil não teria individualizado as condutas e criticou a prisão antes doitiva e do contraditório.

Os defensores dos agentes presos alegaram que seus clientes negam as acusações e confiaram que a verdade será esclarecida ao término da investigação. Segundo as defesas, as prisões decretadas têm natureza temporária e destinam-se a subsidiar as apurações, sem implicar juízo de culpa definitivo.

A Operação Perfídus, que investiga suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas, identificou, além dos policiais já citados, outros alvos com mandados de prisão: João Wicttor Alves de Lima; Brendo Roberth Fernandes Sobral; Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”); José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”); Vanessa Dantas Fernandes; e Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”).

Até a última atualização da reportagem, o Jornal da Paraíba tentou contato com as defesas dos demais suspeitos, mas não localizou pronunciamentos.

Com informações de Jornaldaparaiba