A arquiteta Daniela Marys de Oliveira, 35 anos, será julgada por tráfico de drogas no próximo dia 23 de outubro após sete meses detida na Prisão Provincial de Banteay Meanchey, a cerca de seis horas de Phnom Penh, capital do Camboja. A família denuncia que a brasileira foi vítima de tráfico humano e teve entorpecentes plantados no local onde vivia depois de recusar participar de golpes na internet.
Superlotação acima de 200 %
Segundo levantamento divulgado pela imprensa cambojana, unidades prisionais do país operam com ocupação 200 % superior à capacidade. A mãe de Daniela, Myriam Marys, afirma que a filha divide cela com aproximadamente 90 mulheres. Em dezembro de 2024, cerca de 75 % dos detentos em todo o Camboja ainda não tinham sido julgados.
Registro de morte em março
Em março de 2025, um preso de 22 anos morreu na mesma penitenciária devido a problema cardíaco associado, de acordo com familiares, às condições de superlotação. O jovem cumpria pena de três anos por posse de armas, violência, roubo e uso de drogas, e havia completado um ano e dois meses de encarceramento.
Histórico de inundações
A província de Banteay Meanchey sofre inundações recorrentes. Em 2020, tempestades deixaram 18 mortos e forçaram a evacuação de 1.600 presos, incluindo detentos da prisão onde Daniela se encontra. Situação semelhante ocorreu em 2013, quando 842 internos precisaram ser transferidos após a água atingir a altura do pescoço. Naquele ano, 104 pessoas morreram em todo o país e 1,5 milhão foram afetadas pelas cheias do rio Mekong.
Da proposta de emprego à cela
Nascida em Minas Gerais e radicada em João Pessoa desde novembro de 2024, Daniela dominava o inglês e enviava currículos pela internet até receber, em janeiro de 2025, proposta temporária para telemarketing no Camboja. Contra a vontade da família, embarcou no fim daquele mês. As comunicações seguiram normais até março, quando parentes começaram a receber mensagens suspeitas exigindo US$ 4 mil (cerca de R$ 27 mil) para uma suposta multa rescisória. O valor foi pago, mas, em seguida, Daniela relatou ter sido presa após drogas serem encontradas no banheiro do alojamento.
Imagem: Internet
Segundo relatos à família, a brasileira adoeceu na cadeia e continua no setor feminino superlotado. Ela espera decisão judicial marcada para quinta-feira.
Atuação do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores informou “ter conhecimento” do caso. A embaixada brasileira no Camboja realiza gestões junto ao governo local e presta assistência consular conforme o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento às Vítimas Brasileiras do Tráfico Internacional de Pessoas. Em 2024, o Itamaraty auxiliou 63 cidadãos em situações de tráfico de pessoas, 41 deles no Sudeste Asiático.
Com informações de g1


