O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (8) acreditar na manutenção da soberania do Brasil ao ser questionado sobre a hipótese de intervenção militar por parte dos Estados Unidos.

A declaração foi proferida durante uma cerimônia realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Fachin ressaltou que o Brasil é um Estado soberano e que essa condição será preservada com “firmeza e serenidade”.

O posicionamento do presidente do Supremo ocorre após manifestação do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que, no início da semana, admitiu a possibilidade de atuação militar dos EUA em território brasileiro, depois que as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) foram classificadas pelos Estados Unidos como organizações terroristas.

Combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro

Na mesma cerimônia, Fachin destacou a implementação da nova estrutura do Tribunal de Justiça de São Paulo destinada ao enfrentamento do crime organizado e da lavagem de dinheiro. A reorganização cria varas especializadas para processar e julgar casos relacionados a organizações criminosas, ocultação de bens e delitos contra a ordem tributária e econômica.

O ministro alertou para o avanço das quadrilhas e apontou plataformas de apostas esportivas como um novo instrumento para a lavagem de recursos. Segundo Fachin, esse fenômeno não se limita à segurança pública, mas constitui uma ameaça direta ao Estado Democrático de Direito.

Influência das facções nas eleições

Ao ser questionado sobre eventual influência das facções no processo eleitoral, Fachin afirmou que a Justiça Eleitoral dispõe de meios para enfrentar tentativas de interferência criminosa, citando episódios de pleitos anteriores como precedentes.

Também presente ao ato, o presidente do TJ-SP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, disse que a nova estrutura judiciária fortalece a repressão às organizações criminosas. Loureiro defendeu alterações na legislação para ampliar a transparência do sistema financeiro, com atenção especial a fintechs e fundos de investimento, a fim de dificultar a ocultação de patrimônio usado em esquemas de lavagem.

As autoridades ressaltaram a necessidade de respostas institucionais coordenadas para enfrentar as ameaças apontadas durante o evento.

Com informações de Polemicaparaiba