O culto na Igreja Evangélica Pentecostal JCS, localizada na Zona Norte de Cajazeiras (Sertão da Paraíba), terminou em prisão e acusações de abuso de autoridade. O pastor Leonardo Silva foi detido pela Polícia Militar na noite de terça-feira (14), após reclamações sobre o volume do som da celebração.

Segundo o pastor, que já foi liberado, os policiais chegaram após denúncias de perturbação do sossego. Ele afirmou que atendeu ao pedido de reduzir o som, mas que a atuação dos agentes se manteve intimidatória e que a prisão foi arbitrária e violenta. Leonardo disse não ter resistido e que, na delegacia, nenhum dos militares apresentou justificativa formal para a detenção, o que, em sua visão, caracteriza abuso de autoridade.

O pastor relatou ainda que, mesmo com a diminuição do volume, um dos policiais continuou agindo de forma truculenta e proferiu palavras de ódio contra uma fiel que tentou intervir. Conforme o relato de Leonardo, ele reclamou da postura do PM e foi imediatamente algemado com força, sofrendo marcas nos pulsos. A prisão ocorreu na presença de cerca de 200 membros da congregação, e o pastor afirma ter sido colocado dentro do camburão diante dos fiéis.

Testemunhas presentes confirmaram a versão do líder religioso. A jovem Josefa Leite disse que o pastor subiu para baixar o som e que, mesmo assim, os policiais insistiram, algemando-o logo em seguida. Ela também contou que ouviu o policial ofender uma irmã da igreja e ameaçar prender o pastor. A frequentadora Wania Linhares, que é idosa, descreveu pânico durante a ação, relatando que chorou ao ver o líder algemado e afirmou acreditar que o tratamento não teria ocorrido em uma situação festiva secular.

O comandante do 6º Batalhão de Polícia Militar em Cajazeiras, Tenente-Coronel Hugo, informou ao Diário do Sertão que o pastor compareceu à sede do batalhão, apresentou sua versão dos fatos e registrou denúncia na ouvidoria. O comandante determinou ao corregedor a abertura de sindicância para apurar o caso. A nota do 6º BPM indica que, ao término da investigação interna, o procedimento poderá ser arquivado ou resultar em punição, dependendo das conclusões.

O episódio segue sob investigação administrativa do batalhão, enquanto a comunidade religiosa aguardará os desdobramentos definidos pela sindicância.





Com informações de Diariodosertao