O senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro (RJ), voltou a declarar, nesta terça-feira, 21 de julho, em Brasília, que as urnas eletrônicas brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic. As afirmações foram feitas durante um encontro com embaixadores e diplomatas promovido pela consultoria Novo Selo Comunicação, segundo relatos do evento.
No discurso, o parlamentar relacionou, sem apresentar evidências, o sistema de votação eletrônico usado no Brasil a um relatório da CIA sobre supostas fraudes em eleições na Venezuela. Flávio também solicitou que nações estrangeiras enviem o maior número possível de observadores internacionais para acompanhar o pleito de 2026.
Em relação às ligações apontadas por Flávio Bolsonaro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já esclareceu repetidas vezes que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas nem os softwares utilizados nas votações brasileiras. De acordo com o tribunal, a companhia chegou a prestar serviços de conexão de dados e voz em contratos anteriores e tentou participar da licitação para a fabricação das urnas destinadas às eleições de 2020, mas não foi a vencedora — o certame foi vencido pela Positivo Tecnologia.
Órgãos oficiais e veículos de imprensa já desmentiram a existência de qualquer vínculo entre o desenvolvimento dos equipamentos de votação no país e a empresa venezuelana, situação que contradiz as alegações repetidas pelo senador no encontro com representantes diplomáticos.
No mesmo evento, Flávio comentou a reunião realizada em 2022 pelo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, com embaixadores. Segundo o senador, o ex-presidente teria sido declarado inelegível por demonstrar preocupação com a transparência e a segurança do sistema eleitoral. Jair Bolsonaro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação após aquele encontro, no qual também teriam sido feitas acusações sobre o processo eleitoral sem apresentação de provas.
A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em um período de atenção renovada sobre a segurança das urnas eletrônicas e a preparação para as eleições de 2026, mas as instituições responsáveis pela gestão eleitoral mantêm o posicionamento sobre a ausência de vínculo técnico entre a Smartmatic e os equipamentos brasileiros.
Com informações de Polemicaparaiba


