Fies Empreendedor oferece linha de crédito para egressos adimplentes
O Governo federal formalizou uma nova modalidade de financiamento voltada a egressos do ensino superior beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). A medida provisória nº 1.373, de 29 de junho de 2026, instituiu o Fies Empreendedor, regulamentado pela Resolução CMN nº 5.325/2026, com a proposta de facilitar o acesso a crédito para quem deseja transformar a formação acadêmica em negócio próprio.
Segundo o texto divulgado, a linha de crédito será destinada a estudantes que mantiveram em dia as últimas 36 parcelas do Fies, sem ter renegociado o saldo nesse período. Entre os atrativos apontados estão juros próximos a 11% ao ano — inferiores aos praticados pelo mercado — e prazos de pagamento mais longos. A contratação está prevista para começar em 10 de agosto por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Critérios finais de elegibilidade serão detalhados em portaria do Ministério da Fazenda, conforme determinou a resolução do Conselho Monetário Nacional.
O lançamento do Fies Empreendedor surge num contexto em que o Brasil registra alta atividade empreendedora. O Global Entrepreneurship Monitor (GEM) 2025, realizado no país pela Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), apontou que 31,6% dos adultos participam de alguma atividade empreendedora e que 42,5 milhões de pessoas pretendiam iniciar um negócio nos três anos seguintes, resultado que deixou o país em segundo lugar em número absoluto de potenciais empreendedores, atrás apenas da Índia.
Dados do Sebrae também destacam a importância das micro e pequenas empresas na economia: elas representam 95% dos negócios em operação no Brasil, respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB) e concentraram oito em cada dez novas contratações formais em 2025. Apesar disso, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra que seis em cada dez empresas não alcançam cinco anos de atividade, problemas atribuídos a gestão deficiente, falta de planejamento financeiro e dificuldade de acesso a crédito.
O novo programa coloca ênfase não apenas no aspecto financeiro, mas também na necessidade de integrar a formação superior às competências empreendedoras, estimulando instituições a reforçarem ações como educação empreendedora, incubadoras, programas de mentoria e parcerias com o setor produtivo para preparar os formandos a usar com responsabilidade o crédito acessado.
O artigo original que apresentou a proposta foi assinado por Janguiê Diniz, que é diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador, controlador e presidente do conselho de administração do grupo Ser Educacional; presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo, da JD Business Academy e da Mentor Capital Group.
Com informações de Jornaldaparaiba



