Em meio à fumaça, condições insalubres e denúncias de crime ambiental, dezenas de pessoas dependem do lixão de Ipaumirim, no Centro-Sul do Ceará, para garantir a renda familiar. A situação foi registrada em reportagem da TV Diário do Sertão, que conversou com trabalhadores que atuam no local há mais de duas décadas.

Cícero José é um desses catadores e trabalha no lixão há mais de 20 anos. Segundo ele, a rotina começa cedo: chega ao local entre 7h e 9h, aguardando a caçamba de lixo que, em geral, chega por volta das 10h. Cícero reconhece os riscos, mas afirma que a necessidade o mantém no trabalho.

Ao falar sobre o preconceito ligado à profissão, Cícero declarou: “Eu tenho orgulho do meu trabalho. Eu quero saber do meu sustento. Não quero saber se é lixão.” Questionado sobre o medo relacionado às condições de trabalho, comentou: “Realmente, medo a pessoa pode ter, mas eu não deixo de trabalhar por isso. Não tenho outro serviço. Eu não gosto de estar humilhado pelos outros. Eu trabalho aqui porque é o meu sustento, é o sustento da família.”

No lixão, os catadores coletam plástico, papelão, ferro, cobre, alumínio e outros materiais recicláveis. A remuneração varia conforme o tipo e a quantidade de material recolhido. Conforme relatos, a renda mensal pode oscilar: “Às vezes tiro mil reais por mês. Às vezes R$ 700, R$ 800. Depende do trabalho e do material que vai vir.”

Adalberto Pedro, que atua no local há cerca de 22 ou 23 anos, relata ter sido um dos primeiros a trabalhar ali. Com o tempo, familiares passaram a desempenhar a mesma atividade. Ele descreve o trabalho como autônomo, sem patrão, em que o grupo atua conforme a chegada de transporte e material.

Incêndios e pedidos por infraestrutura

Quando ocorrem queimadas, os próprios catadores tentam controlar as chamas para preservar os materiais reaproveitáveis. Adalberto afirmou não ter sido afetado por doenças em razão do trabalho, mas sugeriu a atuação do poder público para melhorar as condições: “Se o prefeito mandasse fazer umas barracas era uma boa para nós. Melhorava para todos os catadores.”

Problema ambiental

Também são destacadas as condições insalubres do local e o descarte inadequado de resíduos, incluindo lixo hospitalar e até restos mortais, itens que, segundo a reportagem, evidenciam a necessidade de maior fiscalização por parte dos órgãos competentes.





A cobertura da TV Diário do Sertão trouxe depoimentos dos catadores e imagens do lixão, mostrando a rotina e os desafios enfrentados por quem depende da atividade para sustentar suas famílias.

Com informações de Diariodosertao