A decisão do diretório do Partido dos Trabalhadores na Paraíba de declarar apoio à pré-candidatura do governador Lucas Ribeiro (PP) à reeleição foi facilitada pela posição de neutralidade adotada pela direção nacional do Progressistas. A ausência de uma candidatura presidencial oficializada pelo PP liberou as seções estaduais para se posicionarem no pleito presidencial conforme interesses locais, o que favoreceu o alinhamento entre PT-PB e o governador.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI), líder nacional do partido e integrante do chamado “Centrão”, vem sinalizando a opção pela neutralidade, segundo reportagem do UOL. A impressão de neutralidade teria sido reforçada por insatisfações internas, entre elas a falta de defesa pública do senador Flávio Bolsonaro (PL) quando vieram à tona relações de Nogueira com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Bolsonaro, por sua vez, chegou a divulgar que teria convidado a senadora Tereza Cristina (PP-MT), presidente do PP, para compor como vice numa chapa bolsonarista, e circulou a versão de que ela teria aceitado.

O PP mantém federação com o União Brasil, o que também influenciou as negociações sobre a formação de chapas. Parte das lideranças entendia que a neutralidade nacional seria o caminho mais adequado diante dos arranjos regionais. Em nota, o PP informou que consultou seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer neutro e não convocar convenção nacional.

No âmbito estadual, a convenção do PT paraibano realizada anteontem em João Pessoa carimbou o apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro. A presidente do PT-PB, Cida Ramos, formalizou a aliança em nome da legenda, sem detalhar uma posição pessoal do presidente Lula, cuja atuação tem sido tratada por ela como “uma entidade à parte” dentro do partido. A aliança oferece ao governador vantagem no tempo de propaganda eleitoral e o potencial reforço da boa avaliação do governo Lula no Estado.

O PT já integra a gestão estadual desde a administração de João Azevêdo (PSB), tendo obtido a Secretaria do Desenvolvimento Social para um filiado. O partido também busca a indicação do nome a vice na chapa de Lucas, disputa que tem confrontado o PT com o Republicanos, presidido por Nabor Wanderley, ex-prefeito de Patos e pré-candidato ao Senado na mesma coligação.

A convenção petista reuniu lideranças que, localmente, costumam ser adversárias, como João Azevêdo, Ricardo Coutinho, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) e o próprio governador Lucas Ribeiro, todos apoiadores de Lula. Cida Ramos anunciou apoio a três pré-candidatos ao Senado que disputam apenas duas vagas — João Azevêdo e Nabor Wanderley pelo campo governista, e Veneziano Vital do Rêgo pela oposição —, gerando desconforto entre as forças políticas locais.

Nabor, pai do deputado federal Hugo Motta, presidente da Câmara, elogiou publicamente o presidente Lula e citou parcerias realizadas durante sua gestão em Patos; Lucas também enalteceu Lula; e Azevêdo lembrou cooperações com o governo federal, incluindo pautas regionais como a transposição do rio São Francisco.

Do ponto de vista político, houve pragmatismo da direção petista na escolha do alinhamento com Lucas Ribeiro. O senador Veneziano, que lançou a pré-candidatura de Cícero Lucena pelo MDB, desconfiava dessa movimentação e tem buscado preservar a declaração de apoio de Lula à sua reeleição ao Senado, divulgada em áudio por ele nas redes sociais. Oficialmente, até o momento, o presidente Lula manifestou apoio na Paraíba a João Azevêdo e a Veneziano Vital, deixando aos diretórios a decisão sobre a disputa ao governo. Lucas recebeu o aval do PT estadual e aguarda uma manifestação direta do presidente, fruto de articulações nos bastidores envolvendo lideranças em Brasília.

Com informações de Polemicaparaiba