O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (5), reduzir a Taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. Embora o corte tenha sido bem recebido por setores econômicos, diversas entidades classificaram a medida como insuficiente para impulsionar investimentos e modernização da indústria.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) afirmou em nota que a continuidade do ciclo de queda da Selic é um sinal positivo para a atividade econômica, mas destacou que o patamar ainda elevado mantém o custo do crédito alto e adia decisões de investimento. Segundo a entidade, o custo de capital elevado dificulta a modernização produtiva, limita ganhos de produtividade e prejudica a competitividade das empresas no mercado interno e externo. A Firjan lembrou que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria de transformação cresceu apenas 0,4% no primeiro semestre do ano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também avaliou o corte como insuficiente. A entidade apontou que a taxa de juros se mantém em nível considerado restritivo há 55 meses e ressaltou que a Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa estimada pela Regra de Taylor, calculada em 10,4%. A CNI acrescentou que a taxa de juros real, em torno de 10%, está bem acima da taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando, na visão da confederação, espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o controle da inflação.
Entre as centrais sindicais, a Força Sindical também considerou o ajuste de 0,25 ponto percentual insuficiente. Em nota, a organização afirmou que juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos, desestimulam o consumo e prejudicam a geração de empregos, e avaliou que houve perda de oportunidade para uma redução mais acentuada que pudesse dar maior suporte ao setor produtivo.
Decisão do Copom
O Copom informou que a nova redução, a quarta consecutiva, levou a Selic de 14,25% para 14% ao ano. O comitê justificou que o ajuste gradual é compatível com a estratégia de convergência da inflação em direção à meta no próximo período. O Banco Central também citou preocupações no cenário externo, apontando a indefinição sobre os conflitos no Oriente Médio e a incerteza quanto à condução da política monetária em algumas economias avançadas.
As entidades ouvidas mantêm a avaliação de que, embora o movimento de queda seja positivo, o atual nível da taxa básica ainda representa um limite para a aceleração de investimentos e para a recuperação mais robusta da atividade industrial.
Com informações de Agência Brasil



