Vídeos publicados nas redes sociais sobre a rotina do pequeno Gabriel Esdras, de um ano, transformaram a vida de uma família de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa. As publicações, que retratam o cotidiano do menino — nascido com múltiplas malformações — atraíram milhares de seguidores e geraram uma rede de apoio em torno dos pais.
A mãe, Rita de Cássia, de 30 anos, informa que Gabriel apresenta malformação craniofacial, turricefalia e dismorfias nas mãos e nos pés. A família procurou atendimento com uma geneticista, que solicitou exames para investigar uma possível cromossomopatia. No acompanhamento médico constou atraso no neurodesenvolvimento, recomendando-se acompanhamento por equipe multidisciplinar e estímulos para o desenvolvimento global da criança.
Segundo a mãe, a rotina do menino é tranquila: ele costuma acordar por volta das 9h, recebe alimentação e passa boa parte do dia no sofá assistindo desenhos e interagindo com os irmãos. Rita afirma que, apesar das malformações, Gabriel é uma criança calma e participa das atividades familiares.
Gravidez e reorganização da família
Rita relata que descobriu as alterações durante o exame morfológico, quando tinha 22 semanas de gestação. Ela havia buscado o exame para saber o sexo do bebê, mas saiu da consulta informada sobre a presença de malformações, notícia que exigiu reorganização imediata da rotina familiar.
Desde então, Rita deixou o trabalho como vendedora para dedicar-se integralmente aos cuidados do filho. O casal — Rita e o pai, Michel Augusto, de 34 anos — também convive com a preocupação sobre preconceito e possibilidades de bullying no futuro. O casal tem mais três filhos: um adolescente de 14 anos, uma criança de 6 anos diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outro menino de 4 anos.
Impacto das redes sociais e situação financeira
Além da repercussão nas redes, a família enfrenta dificuldades econômicas. Michel, que trabalhava como pedreiro, sofreu fratura de fêmur em 2016 e desenvolveu osteomielite crônica, condição que limita sua capacidade de trabalho e reduz a frequência dos serviços que consegue realizar.
Atualmente, a principal renda da casa vem do Benefício de Prestação Continuada (BPC) destinado ao filho de 6 anos com autismo. Rita conta que o perfil do Instagram da família estava parado há mais de um ano quando decidiram gravar um vídeo por brincadeira; o conteúdo viralizou e passou a reunir cerca de 100 mil seguidores.
Sem ter solicitado ajuda, a família recebeu ofertas de apoio financeiro, doações de itens e mensagens de incentivo. Mães de crianças com diagnósticos semelhantes passaram a trocar experiências e a orientar os pais sobre cuidados e tratamentos, o que tem servido de acolhimento para Rita e Michel.
Rita afirma esperar que a visibilidade traga benefícios concretos para a família, ao mesmo tempo em que se diz grata pelo apoio recebido nas redes sociais.
Com informações de Jornaldaparaiba


