O dólar fechou em forte queda e a bolsa brasileira registrou alta nesta quarta-feira, em reação ao anúncio do Tesouro dos Estados Unidos sobre aumento em operações de recompra de títulos de longo prazo.
O movimento internacional de compra de ativos de maior risco pressionou a moeda norte-americana no mercado doméstico: o dólar à vista encerrou o pregão em R$ 5,177, com variação de -0,86%. Pela manhã, por volta das 10h30 (Brasília UTC-3), a cotação chegou a R$ 5,15.
Principais números
Dólar à vista: R$ 5,177
Variação do dólar: -0,86%
Ibovespa: 167.830,27 pontos (+0,9%)
Variação do Ibovespa: +0,9%
Câmbio
A queda representou a primeira vez em três sessões que o dólar fechou abaixo de R$ 5,20. Na véspera, a moeda comercial havia encerrado em R$ 5,22, o maior patamar desde 30 de março, quando terminou a R$ 5,24. Apesar da queda do dia, o dólar acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto; em julho, havia recuado 1,79%.
O recuo foi influenciado pelo comunicado do Tesouro dos EUA de que poderá dobrar o volume de algumas operações de recompra (reverse repos) de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos. As operações, previstas entre 9 de setembro e 4 de novembro, terão volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente. A expectativa de maior demanda reduziu a pressão sobre os rendimentos dos Treasuries de longo prazo e ampliou o apetite por ativos considerados mais arriscados.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, recuou 0,87% ao fim da tarde, para 98,793 pontos.
Ibovespa reage
O Ibovespa avançou 0,90%, chegando a 167.830,27 pontos, e interrompeu uma sequência de 11 pregões de queda, a mais longa desde 2023. No dia, o índice alcançou máxima de 170.340,60 pontos e mínima de 166.334,73 pontos. A alta foi sustentada por ações de grande peso, sobretudo de setores como petroleiras, mineradoras e instituições financeiras. Nos 11 pregões anteriores, o índice havia acumulado perda de 6,55%.
Ata do Fed
A ata da reunião de julho do Federal Reserve também foi acompanhada pelos investidores, mas exerceu efeito limitado sobre o comportamento do dólar. O documento mostrou preocupação dos dirigentes do banco central dos EUA com a inflação, e indicou que vários membros do Comitê Federal de Mercado Aberto estavam dispostos a elevar juros caso a inflação não convergisse para a meta de 2%.
Pressões domésticas
Apesar do alívio trazido pela movimentação do Tesouro estadunidense, o mercado brasileiro segue sujeito a fatores internos, como o nível elevado de juros e as expectativas em torno do cenário eleitoral. A saída de capital estrangeiro permanece em evidência: até 17 de agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa brasileira estava negativo em R$ 18,6 bilhões. Na sessão desta quarta, porém, a combinação de menor pressão sobre os títulos dos EUA e maior disposição global para assumir risco beneficiou o real e as ações brasileiras.
Com informações de Agência Brasil




