O vice-prefeito de Caaporã, Carlos Monteiro, tomou posse como prefeito interino do município nesta quinta-feira (20) em sessão realizada pela Câmara Municipal. A cerimônia, conduzida pelo presidente do Legislativo local, Oto Mariano, ocorreu no período da tarde e registrou a assinatura da ata poucos minutos após o início dos trabalhos.

O afastamento do prefeito Francisco Nazário de Oliveira (União Brasil), conhecido como Chico Nazário, foi determinado por decisão judicial e permanece enquanto vigorar a medida cautelar requerida pela Justiça. Na posse, o novo gestor pediu calma à população e afirmou que manterá o ritmo de trabalho, ressaltando o compromisso da equipe municipal em continuar a administração em favor da cidade.

Investigação e alvos da operação

O afastamento decorre de uma operação que apura supostas fraudes em licitações relacionadas a contratos de coleta de resíduos e serviços de limpeza urbana. Segundo o Ministério Público, havia uma organização criminosa instalada no Poder Executivo de Caaporã, supostamente liderada pelo prefeito afastado, para direcionar contratações emergenciais, superfaturar serviços e desviar recursos públicos. O prejuízo apurado até o momento supera R$ 2 milhões, em valores atualizados.

Além do prefeito, também foram afastados o secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos, Severino Pereira de Lima Neto, e a agente responsável por contratações, Fernanda Ellen da Silva Gomes. A operação cumpriu ações em 12 alvos, incluindo três empresas: HAC Serviços Ambientais Ltda., GN Locações e Serviços Ltda. e Caaporã Cargas e Logística Ltda.

Lista completa de investigados divulgada na ação:

  • Francisco Nazário de Oliveira – prefeito de Caaporã;
  • Cristine Roberta Rodrigues Pinho – Secretária e primeira-dama;
  • Gabriel Gomes Nogueira;
  • Francisco Nogueira de Barros;
  • Hilton Amorim Cunha Júnior;
  • Sandro Trajano de Freitas;
  • Rute Gomes da Silva de Freitas;
  • Severino Pereira de Lima Neto – secretário de Infraestrutura e Serviços Urbanos;
  • Fernanda Ellen da Silva Gomes – agente de contratação;
  • HAC Serviços Ambientais Ltda.;
  • GN Locações e Serviços Ltda.;
  • Caaporã Cargas e Logística Ltda.

O g1 tentou contato com o prefeito afastado sem sucesso até a última atualização da reportagem. A HAC Serviços Ambientais informou que está colaborando com as investigações e enviou a documentação solicitada pelo Ministério Público. A GN Locações não respondeu e não foi possível localizar contato da Caaporã Cargas e Logística. A reportagem também não conseguiu contato com as defesas dos demais investigados.

Operação Purgatório e vídeo investigado

A Operação Purgatório resulta de trabalho integrado do Gaeco e da Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp/MPPB), em conjunto com a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/PCPB). As apurações começaram em setembro de 2025, após divulgação de vídeo em que o prefeito aparece recebendo uma bolsa com cerca de R$ 400 mil antes das eleições de 2024. O Ministério Público investiga se o montante se relaciona a vantagens indevidas ligadas à indicação de contratação de empresa para recolhimento de lixo. O prefeito nega as acusações.

Em outra passagem do texto original consta que, com o afastamento, quem assumiria a prefeitura seria o vice-prefeito Carlos Eduardo (PSDB) e que a posse ocorreria ainda nesta quinta-feira (20).

Com informações de G1