José Maranhão voltou ao comando do Governo da Paraíba em fevereiro de 2009, após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que manteve a cassação do então governador Cássio Cunha Lima. O terceiro mandato de Maranhão no Executivo estadual foi curto, com menos de dois anos no cargo, e começou em meio a uma transição marcada por mudanças administrativas, tensão com a Assembleia Legislativa e a necessidade de acelerar obras estaduais, especialmente as vinculadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Posse e contexto
A decisão do TSE, noticiada pelo Jornal da Paraíba em 17 de fevereiro de 2009, determinou a posse do segundo colocado na eleição de 2006, que havia deixado o Senado para reassumir o governo estadual. Maranhão desembarcou em João Pessoa e, no dia 18 de fevereiro, foi empossado em sessão solene na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), com Luciano Cartaxo como vice-governador.
Desafios políticos e administrativos
Ao assumir, Maranhão enfrentou a falta de maioria na Assembleia, onde prevaleciam parlamentares alinhados a Cássio Cunha Lima. O governador admitiu dificuldades, mas afirmou acreditar que projetos voltados à segurança, saúde e administração pública poderiam atrair apoio de opositores. No primeiro ano houve obstáculos para aprovar medidas do Executivo, embora o governo tenha conseguido autorizar cerca de R$ 600 milhões em empréstimos, segundo balanço do Jornal da Paraíba publicado em fevereiro de 2010.
Reestruturação e equipe
Nos primeiros dias após a posse, Maranhão promoveu extensa troca no quadro de ocupantes de cargos comissionados, com cerca de mil exonerações e decreto para dispensa em toda a administração direta e indireta. Para recompor a máquina pública, trouxe nomes que já haviam atuado em governos anteriores, entre eles Francisco Sarmento, que assumiu área ampliada reunindo infraestrutura, ciência, tecnologia e meio ambiente.
PAC e obras
Uma das prioridades do governo foi retomar obras e captar recursos federais por meio do PAC. Segundo Sarmento, ao assumir a execução do programa na Paraíba ocorria em nível preocupante: 2% executado; alguns meses depois, afirmou que a execução teria alcançado entre 60% e 70%. Em agosto de 2009 foi inaugurada a primeira obra do PAC no estado, o sistema de abastecimento de água das praias do Seixas e da Penha, em João Pessoa, projeto da Cagepa com investimento de R$ 270 milhões do governo federal e contrapartida estadual, com expectativa de beneficiar mais de 2.400 mil pessoas.
Educação e transporte escolar
Na educação, o governo encontrou problemas no transporte escolar da rede estadual. Salles Gaudêncio retornou à Secretaria de Educação e o governo aderiu a uma ata do Ministério da Educação para aquisição de 160 ônibus, visando melhorar transporte, condições dos veículos, carteiras e merenda.
Segurança pública e greve dos delegados
A segurança foi área de conflito do mandato. Delegados ameaçaram greve ainda na véspera da posse e, em outubro de 2009, iniciaram paralisação por reajuste salarial, progressão e paridade, pleiteando aumento que elevaria salários de R$ 1.500 mil para R$ 3.400 mil. Maranhão cogitou recorrer ao Judiciário para declarar a greve ilegal; a paralisação foi considerada ilegal em dezembro e o impasse só foi resolvido em janeiro do ano seguinte com acordo prevendo medidas ao longo de 2010.
Curto prazo e a eleição de 2010
Com pouco mais de um ano e dez meses no cargo, Maranhão teve de transformar a gestão curta em argumento de campanha para a eleição de 2010. Pelo PMDB, com Rodrigo Soares (PT) de vice, ele disputou a reeleição enfrentando Ricardo Coutinho (PSB), ex-aliado. No primeiro turno, Coutinho obteve 49,7% dos votos e Maranhão 49,3%, diferença de 8.367 votos. Na reta final da campanha surgiu a apreensão, pela Polícia Federal, de um helicóptero em Patos que seria usado na campanha de Maranhão para distribuição de panfletos contra Coutinho; a investigação partiu de ordem da Justiça Eleitoral.
No segundo turno, Ricardo Coutinho foi eleito com 53% dos votos válidos, ante 46% de Maranhão, que somou pouco mais de 930 mil votos. Após a derrota, Maranhão reconheceu o resultado e fez um pronunciamento no Palácio da Redenção em que apresentou um balanço da gestão e defendeu a continuidade das obras iniciadas durante seu governo. O terceiro mandato de José Maranhão terminou em 31 de dezembro de 2010.
Trajetória posterior
Após deixar o governo, Maranhão voltou a disputar eleições: perdeu a Prefeitura de João Pessoa em 2012, foi eleito senador em 2014 e, em 2018, ficou em terceiro lugar na disputa pelo governo estadual. José Maranhão morreu em 2021, aos 87 anos, vítima de complicações da Covid-19. Sua viúva, a desembargadora Fátima Bezerra, destacou o legado conciliador do político em entrevista sobre os mandatos.
Com informações de Jornaldaparaiba




