O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participou na noite de sexta-feira (28) da sabatina promovida pela TV Globo, conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli. Foi o quinto presidenciável a ser ouvido na série de entrevistas que tratou de temas como o escândalo do Banco Master, os atos de 8 de janeiro de 2023, a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o chamado “tarifaço” dos Estados Unidos e a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Banco Master e relação com Daniel Vorcaro
Ao abrir a sabatina, os jornalistas abordaram o envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme Dark Horse e a transferência de R$ 61 milhões para a produção. Flávio defendeu a captação de recursos e negou irregularidades na operação, afirmando que os recursos foram aplicados na produção sem contrapartida em razão de sua atuação como senador.
Questionado sobre mensagens em que diz ter escrito “estou e sempre estarei contigo” a Vorcaro, Flávio pediu distinção entre relações privadas e atividade política. Citou também o investimento de R$ 160 milhões por Vorcaro em um programa de Luciano Huck, e ouviu de Tralli que patrocínios ao Grupo Globo seguem normas legais e são registrados publicamente.
Atos de 8 de janeiro e depoimentos militares
Sobre os episódios de 8 de janeiro de 2023, Flávio foi questionado sobre garantias de que não promoveria uma tentativa de golpe. Em vez de oferecer garantias, criticou a condenação do pai pelo Supremo Tribunal Federal (STF), classificando o processo como uma “grande farsa” e dizendo que Jair Bolsonaro foi julgado “pelos seus inimigos”.
O candidato comentou depoimentos de militares que integraram investigações, incluindo o do general Mário Fernandes, que teria elaborado um documento prevendo o assassinato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes. Segundo as investigações citadas, o arquivo foi encontrado no Palácio do Planalto e depois levado ao Palácio da Alvorada, e o plano não teria sido executado por falta de apoio do comando do Exército. Flávio disse que, se o documento foi planejado por esse general, “a responsabilidade é dele”.
Ao tratar dos relatos do brigadeiro Baptista Júnior e do general Freire Gomes sobre risco de ruptura institucional, minimizou a gravidade dos depoimentos e criticou a parcialidade de integrantes das Forças que, segundo ele, hoje apoiam o presidente Lula.
Tarifas dos EUA e atuação de Eduardo Bolsonaro
No episódio sobre o aumento tarifário imposto pelo governo dos Estados Unidos, Flávio responsabilizou o presidente Lula pela medida, afirmando que o petista “cavou” a tarifa e ironizando o resultado. Sobre o comportamento do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que chegou a agradecer pela medida, Flávio reconheceu que “ele errou de agradecer com relação às tarifas”, mas defendeu a atuação de Eduardo no exterior, dizendo que seu trabalho lá é mostrar a situação política do Brasil e que ele não pediu a imposição das tarifas.
Urnas eletrônicas e declaração sobre respeitar resultado
Flávio disse que respeitará o processo eleitoral e o resultado das eleições: “Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral. Vou respeitar o resultado das eleições.” Contudo, ao ser perguntado especificamente se respeitaria o resultado caso fosse derrotado, não respondeu de forma direta após duas perguntas seguidas, afirmando que espera vencer: “Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: vou ganhar no primeiro turno.”
O candidato também admitiu ter cometido erro ao declarar que uma empresa venezuelana fabricava as urnas eletrônicas: “Eu disse que a empresa que fez as urnas eletrônicas era uma empresa venezuelana. Falei errado.” Segundo ele, a empresa apenas participou de alguns processos relacionados ao sistema eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Detalhe visual e sequência de entrevistas
Durante a sabatina, chamou atenção uma anotação feita na mão esquerda de Flávio, escrita com caneta azul e com as palavras “Mudança, futuro, 7/set”, que repercutiu nas redes sociais.
Flávio foi o quinto entrevistado da série da Globo, que começou na segunda-feira (24) com Romeu Zema (Novo), seguiu com Ronaldo Caiado (PSD) na terça (25), Renan Santos (Missão) na quarta (26) e Lula (PT) na quinta (27). A previsão é que Augusto Cury (Avante) seja entrevistado no sábado (29). Cada sabatina tem 40 minutos, divididos em dois blocos, mais um minuto para considerações finais; os seis candidatos foram convidados com base na pesquisa Quaest de intenção de voto divulgada em agosto, e a ordem foi definida por sorteio.
Com informações de Polemicaparaiba




