O desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), determinou a suspensão do júri popular do vereador Wagner Lucindo de Souza, conhecido como Wagner de Bebê. O julgamento estava marcado para 12 de novembro, na Comarca de Santa Rita, e envolve a acusação de tentativa de homicídio contra Eziel Felipe de Araújo.
A decisão atende, de forma parcial, a um pedido de desaforamento apresentado pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB), registrado sob o número 0821579-06.2025.8.15.0000. O artigo 427 do Código de Processo Penal permite a transferência de processos quando há risco à ordem pública ou à imparcialidade do Conselho de Sentença.
Risco à segurança e à imparcialidade
De acordo com o MPPB, desde o crime, ocorrido em 15 de março de 2016, a vítima e familiares vêm sofrendo ameaça e coação. O quadro teria piorado após a eleição do réu para a Câmara Municipal. Denúncias anônimas ao Disque-Denúncia 197 relatam intimidações e ameaças de morte atribuídas ao parlamentar.
Em uma das denúncias, moradores relatam que “o vereador e seus capangas” teriam matado um homem dentro de casa, o que, segundo o desembargador, revela ambiente de “pânico social” na comunidade.
Outro processo por homicídio
O magistrado citou ainda informações de um inquérito de prisão temporária no qual Wagner de Bebê é investigado pelo homicídio de Luiz Felipe Martins da Silva, ocorrido em 13 de outubro de 2025, na comunidade de Bebelândia. Segundo decisão da juíza Daniere Ferreira de Souza, o jovem teria sido ameaçado pelo vereador dias antes de ser morto, motivando a prisão temporária do político e buscas em endereços ligados a ele.
Sessão suspensa
Para o desembargador Márcio Murilo, há um “regime de intimidação permanente” na região, com medo generalizado e falha dos mecanismos locais de proteção, o que inviabiliza a realização do júri em Santa Rita. Ele enfatizou que a posição política do réu amplia sua influência sobre moradores e possíveis jurados.
Imagem: Internet
Com base nesses elementos, o júri popular foi suspenso até o julgamento final do pedido de desaforamento. O TJPB ainda decidirá, em data futura, para qual comarca o processo será transferido, caso a mudança de foro seja confirmada.
Não há nova data definida para a realização do julgamento.
Com informações de paraiba.com.br




