Gilberto Gil subiu ao palco do Rock in Rio no dia 7 de setembro de 2026 e montou um concerto que uniu obras de diferentes fases da carreira, alternando composições antigas e músicas mais recentes. O artista começou a apresentação com “Cérebro Eletrônico” (1969) e em seguida tocou “Pela Internet” (1997), aproximando temas de décadas distintas.

As duas músicas de abertura ressaltaram a recorrência, na obra de Gil, de questões sobre tecnologia e comunicação, repertório que já vinha sendo costurado desde “Lunik 9” (1967). A escolha dessas faixas como início do show reposicionou o músico em um diálogo com plateias mais jovens, sem apostar apenas em grandes sucessos imediatos.

No decorrer da apresentação, Gil interpretou “Andar com Fé” (1982) e incluiu composições que transbordam entre ciência, fé, vida e a relação homem-máquina. Ao contrário das longas turnês de despedida — como a Turnê Tempo Rei, em que costumava fazer shows de cerca de três horas com retrospectivas amplas — o set para o festival foi mais compacto: 16 canções que misturaram lados A e surpresas do lado B do repertório.

O concerto apresentou também referências e homenagens: trechos que lembraram o espírito de Bob Marley em “Rebel Music”, a potência de canções como “Pro Dia Nascer Feliz” (Cazuza), o tom crítico de “Funk-se Quem Puder” e a vertente tropicalista de “Divino, Maravilhoso”. Houve ainda tributo a Rita Lee com “Ovelha Negra” e reverência a Jorge Mautner por meio de “Maracatu Atômico”.

A participação de Liminha no baixo em “Vamos Fugir” foi um dos momentos de destaque entre os músicos reunidos. Embora não tenha incluído “Tempo Rei” no repertório desta noite, Gil deixou claro o peso do tempo em sua trajetória: aos 84 anos, admitiu que talvez esta tenha sido sua última passagem pelo Rock in Rio.

No dia seguinte, circulou um vídeo dos bastidores mostrando um encontro entre Gil e Elton John, em que ambos trocaram cumprimentos e elogios mútuos. No meio do show, a canção “Realce” (1979) apareceu como um dos recados centrais da apresentação.

Para encerrar, Gil dedicou “Aquele Abraço” — peça de 1969, do mesmo período de “Cérebro Eletrônico” — citando artistas como Dorival Caymmi, João Gilberto e Caetano Veloso, e deixou o palco ao som de “Atrás do Trio Elétrico”. O concerto iluminou a noite do festival com uma combinação de nobrezas, homenagens e escolhas de repertório que atravessaram sua longa carreira.

Com informações de Jornaldaparaiba