O Ministério Público Eleitoral abriu investigação, nesta terça-feira (8), para apurar declarações do vereador Roberto Cândido (União Brasil), de Junco do Seridó. As falas, proferidas durante sessão da Câmara Municipal no dia 3 de setembro, defendiam que o prefeito convocasse servidores contratados individualmente para apresentar a chapa apoiada pela gestão e sugeriam que quem recebeu oportunidade de emprego deveria retribuir com o voto.
Na sessão, o parlamentar também afirmou que haveria obrigatoriedade de presença em atos de campanha e mencionou a exposição de bandeiras e fotos nas residências como forma de apoio. Diante desses trechos, o MP Eleitoral pretende verificar se houve coação direta e identificar eventual configuração de abuso de poder político, captação ilícita de sufrágio, práticas proibidas a agentes públicos e assédio eleitoral no ambiente de trabalho.
Providências
Com prazo de cinco dias, o órgão requisitou medidas imediatas para apurar os fatos. À Câmara Municipal de Junco do Seridó foi solicitado o envio da gravação integral da sessão e da ata, além de informação sobre eventual abertura de procedimento ético-disciplinar contra o vereador.
À Prefeitura de Junco do Seridó foi pedido que esclareça se houve convocações, pressões ou exigências de apoio político direcionadas aos servidores municipais contratados. Cópias do procedimento foram encaminhadas ao promotor eleitoral de Juazeirinho para ouvir o parlamentar e examinar eventuais repercussões criminais, e também à Procuradoria Regional do Trabalho da 13ª Região (PRT-13) para análise de natureza trabalhista.
Assédio eleitoral
O caso de Junco do Seridó integra um conjunto de demandas recebidas pelo Ministério Público Eleitoral em 2026 relacionadas a supostos casos de assédio ou coação eleitoral. Segundo levantamento do órgão, foram registrados 14 casos neste ano, entre procedimentos concluídos e investigações em curso. Na véspera, o MP Eleitoral, junto com o Ministério Público do Trabalho, publicou recomendações a candidatos, partidos, coligações e federações na Paraíba para adoção de medidas destinadas a prevenir e combater o assédio eleitoral nas relações de trabalho durante as Eleições 2026.
O procedimento buscará esclarecer se as declarações do vereador configuram ilícitos eleitorais ou práticas vedadas, com apuração nas esferas eleitoral, criminal e trabalhista.
Com informações de Jornaldaparaiba




