Pesquisa liga sensação de solidão e cansaço ao aumento da abstenção
Mais do que mera insatisfação com o cenário político, sentimentos de exaustão e solidão estão levando eleitores brasileiros a deixarem de votar repetidamente. Essa é a principal constatação da pesquisa Termômetro do Bem Viver, realizada por um projeto da Plataforma Avaaz em parceria com o Datafolha e divulgada nesta semana.
Segundo o levantamento, que tem caráter inédito, a ausência de vínculos sociais foi relacionada à maior probabilidade de abstenção nas eleições. Em outras palavras, a falta de laços e o desgaste emocional aparecem como fatores determinantes para que pessoas deixem de comparecer às urnas, além da já conhecida desilusão com a política.
O estudo chama atenção para um fenômeno que se manifesta “ano após ano”: um grupo de eleitores que, mesmo fora da esfera exclusiva de opinião sobre partidos e candidatos, opta por não participar do pleito em função de condições subjetivas, como o cansaço psicológico e a sensação de isolamento.
Ao identificar esses elementos, a pesquisa Termômetro do Bem Viver amplia a compreensão das razões por trás da abstenção, deslocando parte do foco da esfera estritamente política para questões relacionadas ao bem-estar social e emocional dos cidadãos. Por se tratar de um trabalho inédito, o levantamento traz uma nova perspectiva sobre fatores que influenciam a participação eleitoral no país.
Os organizadores divulgaram os resultados nesta semana, destacando a associação entre a fragilidade de redes de convivência e a tendência a se ausentar das votações. O achado indica que as causas da não participação nas eleições podem estar ligadas também a circunstâncias pessoais e sociais, para além da avaliação direta sobre governantes e instituições.
O estudo, portanto, aponta que enfrentar a abstenção envolve compreender tanto o repertório de desconfiança política quanto o estado de bem-estar coletivo e as condições de inserção social dos eleitores.
Com informações de Paraibaonline



