Secretário de João Pessoa deixa cargo após ser alvo de investigação da PF

O secretário municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de João Pessoa, Júnior Pires, foi exonerado do cargo por solicitação própria, conforme publicação em edição suplementar do Diário Oficial do Município, com efeitos a partir desta quarta-feira (30). O pedido de saída havia sido informado pela defesa na terça-feira (29), após Pires ser incluído entre os alvos da Operação Zona de Influência, deflagrada pela Polícia Federal.

A portaria que oficializa a exoneração foi assinada pelo prefeito Leo Bezerra. Segundo os advogados de Pires, a renúncia ao cargo tem o objetivo de permitir que ele se dedique integralmente à sua defesa e ao esclarecimento dos fatos que estão sendo investigados. A defesa nega qualquer vínculo do secretário com organizações criminosas ou participação em negociações de apoio político com facções e afirma que ele está à disposição do Poder Judiciário e das autoridades para prestar esclarecimentos e colaborar com as apurações.

Antes da decisão de pedir exoneração, a Justiça Eleitoral havia determinado o afastamento cautelar de Júnior Pires das funções por 90 dias, medida tomada no contexto das investigações da operação.

Operação Zona de Influência

A Polícia Federal deflagrou, na terça-feira (29), a Operação Zona de Influência para investigar uma suposta negociação de apoio político-eleitoral entre agentes políticos e integrantes de uma facção criminosa atuante em comunidades da Paraíba. Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e R$ 220 mil foram apreendidos durante as diligências.

Conforme a investigação, membros da facção teriam utilizado o controle territorial de determinadas comunidades para negociar apoio eleitoral, autorizar a entrada de candidatos nesses locais e, em contrapartida, receber pagamentos a lideranças do grupo, custeio de despesas de um centro comunitário e negociações envolvendo cargos ou empregos na administração pública, entre outros benefícios. As apurações buscam identificar a conduta individualizada dos investigados e levantam possíveis crimes eleitorais, organização criminosa, lavagem de dinheiro, domínio social estruturado e favorecimento ao domínio social estruturado.

Outros alvos e manifestações

O deputado estadual Caio Roberto (MDB) também foi apontado como alvo da operação, informação confirmada pelo Núcleo de Política da Rede Paraíba de Comunicação. Caio Roberto, de 41 anos e natural de Campina Grande, exerce mandato desde 2010, tendo sido eleito em 2010 e reeleito em 2014, 2018 e 2022, e disputa novamente uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026.

Em nota, o deputado declarou que conduz sua campanha dentro das normas eleitorais, negou ter cometido ilícitos e afirmou ter atendido a diligência da Polícia Federal, acrescentando que, segundo ele, não foram encontrados dinheiro ou outros elementos que indicassem crime eleitoral ou vínculo com organizações criminosas.

A Prefeitura de João Pessoa informou que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A defesa de Júnior Pires ressaltou que o afastamento decretado pela Justiça Eleitoral tem caráter processual e não representa, por si só, conclusão sobre responsabilidade ou culpabilidade.

Com informações de G1