A campanha do ex-prefeito de João Pessoa e candidato ao governo da Paraíba, Cícero Lucena (MDB), apresentou na manhã desta quarta‑feira (30) a segunda Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) da disputa neste ano no estado. O pedido judicial aponta a existência de uma plataforma usada para registrar supostas operações de compra de votos, com participação de servidores públicos estaduais.

De acordo com a peça protocolada, a ferramenta — identificada no início de setembro — teria acumulado dados sobre milhares de acessos, pedidos e avaliações relacionadas à intenção de voto e à rejeição dos candidatos que compõem a chapa governista para Governo e Senado.

A AIJE descreve que entre as solicitações registradas na plataforma constavam demandas por consultas médicas, exames, cirurgias, botijões de gás, tijolos e vagas de emprego. As informações reunidas teriam permitido mapear beneficiários e registrar preferência eleitoral após o atendimento das demandas.

Segundo os advogados de Cícero, a plataforma registrou, no total, 8.592 abordagens, 1.721 demandas individualizadas, 723 pedidos de material e 6.942 revisitas. Após a denúncia, o sistema foi retirado do ar, mas a campanha afirma ter baixado os dados e encaminhado o material ao Ministério Público Eleitoral.

As visitas associadas à plataforma teriam ocorrido em João Pessoa, Bayeux e Cabedelo, e os cadastros conteriam nomes de servidores públicos estaduais supostamente utilizados para efetuar as abordagens domiciliares. Na AIJE, a campanha aponta prática de compra de votos e abuso de poder político e econômico. A peça indica que o endereço da plataforma era “www.qualificada83.com.br”.

O advogado que representa a coligação de Cícero relatou em coletiva que o procedimento incluía identificação das demandas, atendimento posterior e questionamento sobre a intenção de voto dos beneficiários, o que, segundo ele, configuraria documentação da compra de votos.

Até o momento, a campanha do candidato Lucas Ribeiro (Progressistas) não se manifestou sobre as acusações.

Esta é a segunda AIJE movida pela coligação de Cícero no pleito. A ação anterior havia sido fundamentada no aumento de contratações no Estado sem a realização de concurso público.

Com informações de Jornaldaparaiba