O Ministério Público Federal (MPF) solicitou à Justiça Eleitoral, na quarta-feira (30), que o candidato a deputado estadual Alexandre Knoploch (PL-RJ) tenha o porte de arma suspenso durante o período eleitoral. O pedido está ligado a uma ocorrência registrada em 28 de setembro em frente ao comitê de Flávio Serafini (PSOL-RJ), na Tijuca, Zona Norte do Rio.

Pedido de investigação e medidas cautelares

A Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro também pediu ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) autorização para instaurar um inquérito policial contra Knoploch. No documento, a Procuradoria requer que o candidato seja proibido de frequentar o comitê de Serafini e participar de atos de campanha do adversário, além de estabelecer restrições de contato com vítimas e membros das equipes envolvidas no episódio.

Segundo a manifestação assinada pelo procurador regional eleitoral auxiliar Eduardo André Lopes Pinto, há “risco concreto de nova e gravosa escalada de violência política nas ruas” nos dias que antecedem a eleição, o que justificaria medidas urgentes.

Antecedentes citados pelo MPF

Para embasar o pedido, o MPF cita publicações anteriores de Knoploch. Em 18 de setembro, o candidato impulsionou em sua página no Facebook um vídeo contendo a mensagem: “A PACIÊNCIA ACABOU! SE NÃO RESPEITAR VOU RESPONDER COM SPRAY DE PIMENTA”. Após a ocorrência na Tijuca, ele publicou outro vídeo em que assume o uso do spray e diz que recorreria ao produto contra quem tentasse agredi-lo, além de afirmar que a atuação política se dá “na guerra”.

O documento também destaca o patrimônio declarado por Knoploch à Justiça Eleitoral, que inclui sete armas de fogo: fuzis Taurus T4 calibre .556, uma carabina .40, pistolas 9 mm e .45 e um revólver .357 Magnum. Para o MPF, a soma do armamento informado, das publicações e do episódio justifica a adoção de medidas cautelares para evitar novos confrontos.

Quais crimes serão investigados

A Procuradoria solicitou autorização para apurar a ocorrência sob a possível prática de sete crimes: impedimento ao exercício da propaganda eleitoral, violência política de gênero, injúria eleitoral, lesão corporal, ameaça, desobediência e eventual porte ilegal de arma, caso não haja autorização válida para o porte.

Foi ainda requerida a realização de diligências, como perícia dos vídeos feitos durante o episódio, exames de corpo de delito, verificação do registro e do porte das armas declaradas por Knoploch e a preservação das imagens de câmeras da região e das câmeras corporais dos policiais que atenderam a ocorrência.

O episódio na Tijuca

Conforme a notícia-crime que motivou a atuação do MPF, na segunda-feira (28) Knoploch foi até o comitê de Serafini por causa de uma música que estaria sendo tocada no local. Após um comentário envolvendo a prisão de Jair Bolsonaro, o candidato teria retirado um spray de pimenta do bolso e utilizado o produto contra pessoas na calçada, atingindo militantes e a candidata a suplente ao Senado Maria de Lourdes do Carmo.

Em seguida, conforme o relato apresentado ao MPF, Knoploch mostrou uma arma que levava por baixo da camiseta. A Polícia Militar foi acionada e o caso foi registrado na 19ª Delegacia de Polícia.

Versão de Knoploch

Knoploch apresentou versão distinta: disse que foi ameaçado por integrantes da campanha adversária após reclamar da música que considerou ofensiva. O candidato confirmou o uso do spray, afirmou que agiu por se sentir ameaçado e informou ter registrado ocorrência, com a intenção de levar o caso ao Tribunal Regional Eleitoral por suposto uso de linguagem de baixo calão em via pública.

Até a publicação da matéria original, Knoploch havia sido procurado para comentar a manifestação do MPF, mas não havia respondido. O espaço permanece aberto para eventual manifestação.

Com informações de Polemicaparaiba