Quarta-feira, 30 de setembro de 2026. Em artigo publicado às vésperas da votação, Joel Martins Cavalcante chama atenção para a grande quantidade de candidatos e candidatas que, durante a campanha, se apresentaram como guardiões dos “princípios cristãos”.
O uso público da religião na campanha
Segundo o autor, a referência a Deus e à religiosidade apareceu com frequência em discursos, vídeos, santinhos e redes sociais. Cavalcante questiona, no entanto, qual versão do cristianismo e quais princípios estão sendo invocados, e lembra que mencionar o nome de Jesus não substitui a análise das práticas e escolhas políticas.
Princípios evangélicos citados
O artigo aponta que, nos Evangelhos, não há um programa econômico que se enquadre nas categorias políticas modernas, mas há princípios que orientaram a ação de Jesus: misericórdia, justiça, amor ao próximo, cuidado com quem sofre, acolhimento de pessoas marginalizadas e crítica à hipocrisia religiosa. Esses elementos, escreve o autor, serviriam melhor como critérios para avaliar quem reivindica ser defensor desses princípios.
Aproximação aos marginalizados
Cavalcante recorda episódios em que Jesus rompeu barreiras sociais e religiosas: sentou-se com publicanos, aceitou a companhia de pessoas consideradas pecadoras e chegou a afirmar que publicanos e prostitutas poderiam entrar no Reino de Deus antes de certas autoridades religiosas. Para o autor, esses exemplos indicam que proximidade com os excluídos deve pesar na avaliação política.
Religiosidade de fachada e hipocrisia
O texto ressalta a crítica de Jesus a lideranças religiosas que buscavam lugares de honra e exibiam devoção pública enquanto exploravam os vulneráveis — uma religiosidade de fachada que, segundo o autor, permanece atual. Cavalcante afirma que o problema não é professar fé publicamente, mas usá-la como instrumento de poder quando a prática política contraria os princípios evangélicos de cuidado e justiça.
Quem é o próximo?
Para ilustrar a pergunta sobre quem deve ser beneficiário das políticas públicas, o autor retoma a parábola do Bom Samaritano, em que alguém considerado estrangeiro assume o papel de cuidador, e o episódio em que Jesus conversa com a mulher samaritana junto ao poço. Também menciona o caso da mulher acusada de adultério, quando Jesus impede a apedrejamento dos acusadores ao dizer que quem não tivesse pecado poderia lançar a primeira pedra.
Esses relatos, afirma Cavalcante, mostram que o critério cristão em política deve se concentrar em quem se aproxima e acolhe os vulneráveis, não apenas em manifestações externas de fé.
Perguntas para o eleitor
No artigo, o autor propõe perguntas práticas para orientar a escolha do eleitor que se diz cristão: o que o projeto político faz por quem tem fome; por quem não consegue trabalho; pela mulher violentada; por pessoas que sofrem preconceito; por quem professa outra religião; por quem pensa diferente; por quem é rotulado de pecador; e por quem está vulnerável à margem da sociedade.
Cavalcante conclui que os Evangelhos não oferecem um número a ser digitado na urna, mas fornecem critérios — justiça, misericórdia, dignidade, solidariedade e cuidado com os vulneráveis — para interrogar qualquer projeto político. Diante de muitos que reivindicaram os “princípios cristãos” durante a campanha, a pergunta final, segundo o autor, é: quem está disposto a se aproximar daqueles a quem Jesus se aproximou?
Com informações de Polemicaparaiba




