O Centro Universitário de João Pessoa (Unipê) alinhou a formação do curso de Medicina a orientações internacionais e nacionais que destacam a importância de habilidades socioemocionais e do cuidado centrado na pessoa. As mudanças acompanham a publicação da Organização Mundial da Saúde de 2022, intitulada “Global Competency and Outcomes Framework for Universal Health Coverage”, e as Diretrizes Curriculares Nacionais aprovadas pelo MEC em 2025.

O que muda

Segundo a coordenadora do curso, Profª Dra. Maria Alenita de Oliveira, a formação contemporânea passa a valorizar, além da excelência técnico-científica, a comunicação, a colaboração interprofissional, a escuta qualificada, a empatia, a tomada de decisão baseada em evidências e a conduta profissional. As novas DCNs reforçam que o exercício médico deve ter foco no cuidado à pessoa, à família e à comunidade, com respeito à diversidade e promoção da equidade e da justiça social.

Estrutura curricular e prática

O currículo do Unipê está organizado em três ciclos de dois anos, alinhados às Diretrizes Curriculares Nacionais: o 1º ciclo concentra bases anatômicas, fisiológicas e patológicas integradas à prática; o 2º ciclo enfatiza clínica integrada; e o 3º ciclo corresponde ao internato, com atuação em diferentes cenários assistenciais. As experiências práticas são diversificadas e longitudinais, contemplando estágios em distintos níveis de atenção e complexidade.

As vivências incluem rodízios em Unidades de Terapia Intensiva, que, conforme a coordenadora, permitem ao estudante acompanhar o cuidado a pacientes críticos, entender a dinâmica de unidades de alta complexidade e observar processos de decisão clínica que envolvem várias especialidades e categorias profissionais.

Saúde coletiva, telemedicina e extensão

A disciplina de Saúde Coletiva é trabalhada de forma transversal e integrada aos três ciclos, buscando que os alunos compreendam como determinantes sociais, epidemiológicos, territoriais, ambientais, econômicos e culturais afetam a saúde de indivíduos e populações. A proposta pedagógica visa relacionar o cuidado individual às necessidades coletivas e à organização de redes e serviços de saúde.

O curso também incorporou gradualmente a Telemedicina às atividades, notadamente nas práticas de Saúde Coletiva, possibilitando contato supervisionado com modalidades assistidas por tecnologia. Um exemplo citado pela coordenação é o projeto de extensão Mandaçaia, que aborda a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) e desenvolve atendimento e articulação com a comunidade Potiguara do município de Baía da Traição, litoral norte da Paraíba.

A estudante Marcela Lourenço Lacerda, atualmente no último período e em internato, afirmou que essa etapa tem permitido aplicar conhecimentos adquiridos ao longo da graduação e que a experiência no Unipê contribuiu para sua preparação profissional. Para a reitora, Profa. Dra. Mariana de Brito Barbosa, a proposta do Unipê busca equilíbrio entre excelência acadêmica, experiência prática e desenvolvimento humano, formando profissionais com competência técnica, visão crítica e sensibilidade às necessidades das comunidades que atenderão.

O Unipê tem inscrições abertas até 9 de outubro de 2026 para o Vestibular de Medicina 2027.1; a avaliação presencial ocorrerá em 18 de outubro de 2026, das 10h às 14h. Informações sobre o processo seletivo e o curso estão disponíveis nos sites institucionais.

Com informações de Jornaldaparaiba