No Sítio Riacho do Meio, às margens da PB-400 e a pouco mais de 18 km do centro de Cajazeiras, um engenho considerado pelos trabalhadores como centenário mantém a produção tradicional de derivados da cana de açúcar. A estimativa local é de que a unidade tenha cerca de 150 anos, e a rotina de trabalho foi acompanhada em reportagem da TV Diário do Sertão.
Quem participa: aproximadamente 20 trabalhadores, em sua maioria homens, dividem as funções na moagem e no processamento. Muitos herdaram as atividades de pais e avós e atuam em diferentes etapas, da moagem ao cozimento e à moldagem dos produtos.
O que se produz: o engenho fabrica rapadura, batida, alfenim e caldo de cana, além de outros derivados tradicionais.
Quando acontece a moagem: a moagem do Sítio Riacho do Meio é realizada anualmente, geralmente entre agosto e outubro, período que reúne famílias, amigos e vizinhos da comunidade.
Como é o processo: a colheita começa nos canaviais, que, apesar da seca prolongada na região, permanecem graças a um açude localizado a cerca de 1 km, responsável pelo abastecimento de água. A cana é levada ao engenho em carroças puxadas por burros, animais que podem chegar a transportar entre 80 e 90 cargas por dia. A moagem costuma começar de madrugada; por volta das 5h os fornos são acesos e a garapa é extraída, seguida do cozimento e da apuração até os estágios de corte do mel e a produção final da batida, do alfenim e da rapadura.
História e comunidade: produtores locais relatam que o engenho passou por gerações e chega aos dias atuais como patrimônio de memória e trabalho coletivo. Segundo relatos, o local já pertenceu a Seu Tonho, apelidado de “pai de pedra”, e foi transferido entre filhos, netos e, por fim, gerido por uma associação que mantém a atividade.
Moradores destacam o vínculo familiar e cultural com o engenho. Um dos antigos frequentadores lembrou que cresceu ali, estudou na região e acompanhou o ritmo das safras com a avó. Outro agricultor que retornou à terra afirmou que a moagem representa o resgate das tradições nordestinas e o prazer de voltar a participar diretamente do processo.
Comercialização: os produtos são vendidos diretamente no próprio engenho para moradores locais, distribuídos ao comércio da cidade e também comercializados por comerciantes de outros estados atraídos pela qualidade da rapadura e dos demais derivados.
A reportagem que acompanhou a atividade foi produzida por estudantes de escolas públicas de Cajazeiras que participam do programa Primeira Chance e estagiam no Portal e na TV Diário do Sertão, com supervisão de José Dias Neto, Fernanda Layse e Mathias Diniz.
Com informações de Diariodosertao



