Expansão urbana e aumento de licenças
Campina Grande chega aos 162 anos enfrentando um processo de expansão territorial que se manifesta na criação de novos loteamentos, na oficialização de logradouros e no aumento da demanda por autorizações e regularizações. Informações fornecidas ao G1 pela Diretoria de Normas e Regulamentações (DNR), vinculada à Secretaria de Obras, indicam que o número de alvarás de construção emitidos mais que triplicou entre 2021 e 2025.
Foram 539 alvarás em 2021 e 1.729 em 2025, um crescimento de aproximadamente 221%. A DNR passou a registrar os dados pelo sistema 1Doc a partir de julho de 2021; em 2022 foram 1.000 alvarás, em 2023 houve 1.348, e em 2024 foram 1.472. Em 2026, até setembro, já haviam sido emitidos 850 alvarás, número que não é diretamente comparável a anos completos, mas demonstra manutenção da demanda por novas construções.
Volume de processos e aprovações
O movimento também se reflete no total de processos encaminhados à DNR: 2.463 protocolos em 2021, crescimento gradual até 5.002 em 2024 e salto para 8.576 em 2025, o maior volume registrado. De janeiro a setembro de 2026 foram 4.547 protocolos. Entre 2021 e setembro de 2026 a DNR recebeu 28.718 processos, dos quais 16.180 foram aprovados. Esses protocolos incluem processos concluídos e aqueles devolvidos para adequações.
Novas ruas, loteamentos e transformação territorial
Dados da Secretaria de Planejamento (Seplan) apontam que 254 novas ruas foram oficializadas entre 2021 e 2025. A diretora da DNR, Maria Aline, afirma que a Zona Oeste consolidou-se como o principal vetor de crescimento urbano do município nesse período, com os bairros Três Irmãs, Serrotão e Malvinas concentrando grande parte da expansão. Segundo ela, a área em torno de Três Irmãs destacou-se pelo forte avanço imobiliário, gerando um rápido adensamento em locais que até então eram pouco ocupados.
O padrão de crescimento tem sido predominantemente horizontal, com loteamentos e residenciais de pequeno porte, mas o novo Plano Diretor busca incentivar o adensamento vertical e o uso da área central e de bairros já consolidados, diante do limite geográfico atingido pela expansão horizontal.
Fusões, desdobros, loteamentos e condomínios
Entre 2021 e 2026 foram registradas 1.549 ações de fusão e desdobro de terrenos, além da abertura de 15 loteamentos e 16 condomínios de lotes, totalizando 1.580 ações. O número anual de ações evoluiu de 223 em 2021 para 398 em 2025, um aumento de cerca de 79%. O ano de 2025 concentrou o maior número de fusões e desdobros, com 389 atos. Em 2026, até o período considerado, houve 257 fusões e desdobros e a abertura de um condomínio, totalizando 258 ações no período parcial. A abertura de loteamentos também aumentou em 2025 (sete loteamentos) frente a anos anteriores: dois em 2021, quatro em 2022, nenhum em 2023 e dois em 2024.
Habite-se e regularizações
A emissão de habite-se, documento que autoriza a ocupação de edificações concluídas conforme exigências legais, acompanhou o incremento da atividade construtiva: 344 habite-se em 2021; 977 em 2022; 1.069 em 2023; 999 em 2024; 998 em 2025; e 700 até setembro de 2026. Os pedidos de regularização imobiliária também cresceram em períodos específicos: 21 processos em 2021; 205 em 2022; 78 em 2023; 125 em 2024; 316 em 2025; e 126 até setembro de 2026.
Maria Aline relaciona o aumento das regularizações e emissões de habite-se ao aquecimento do mercado imobiliário e às exigências para transações, vendas e financiamentos, especialmente após a reforma tributária. Ela menciona ainda programas habitacionais, como o Minha Casa Minha Vida, entre os fatores que impulsionaram a expansão.
Cadastramento de CEPs e organização de endereços
Para organizar a nova malha urbana, a Seplan cadastrou 629 novos CEPs entre 2021 e 2026. O maior número foi registrado em 2022 (191 novos CEPs). Em 2023 foram 58, em 2024 foram 139, em 2025 foram 185 e, até o período considerado em 2026, foram 56. Em 2021 não houve cadastramento de CEPs em função de um período de alinhamento com os Correios.
Os dados oficiais refletem uma cidade em processo de expansão e reorganização, marcada por crescimento horizontal em áreas como Três Irmãs, Serrotão e Malvinas, ao mesmo tempo em que o planejamento urbano aponta para maior adensamento nas áreas centrais e consolidadas.
Com informações de G1


