Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil 2024, realizada pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o IPEC, mostram que apenas 47% da população brasileira com cinco anos ou mais pode ser considerada leitora. Diante desse quadro, o estímulo ao hábito de ler desde os primeiros anos de vida ganha importância renovada, segundo especialistas ouvidos sobre o tema.

Comemorado nesta segunda (12), o Dia das Crianças coincide com o Dia Nacional da Leitura, e a psicóloga Michelle Costa, da Hapvida, ressalta o papel da leitura como instrumento de estímulo cognitivo e emocional na primeira infância. Ela observa que o contato com histórias leva a criança a formar imagens mentais, imaginar cenários e interpretar acontecimentos, processo que contribui para a criatividade e para o desenvolvimento de formas pessoais de compreensão.

Estudos acadêmicos fortalecem essa visão. Uma pesquisa citada pela American National Library of Medicine indica que a leitura em voz alta na primeira infância ativa áreas cerebrais relacionadas à linguagem, à memória e à atenção. O trabalho aponta ainda que crianças expostas com frequência a livros tendem a apresentar desempenho superior em habilidades de alfabetização e expansão de vocabulário.

Além dos ganhos escolares, relatórios internacionais enfatizam efeitos sobre o bem-estar. O relatório Reading for Pleasure, do National Literacy Trust, do Reino Unido, associa a leitura por prazer a níveis maiores de bem-estar emocional e a uma maior aptidão para enfrentar desafios sociais. Entrar em contato com personagens, culturas e realidades diversas também favorece a compreensão de sentimentos e o respeito por diferentes modos de vida.

Leitura e lazer

Em rotinas marcadas pelo uso intensivo de telas e consumo rápido de informação, reservar tempo para a leitura é apontado como uma forma de promover reflexão e concentração. Michelle Costa destaca que, ao contrário de conteúdos prontos, os livros obrigam a criança a imaginar e construir significados a partir das palavras, o que provoca reações emocionais variadas e permite trabalhar a compreensão das próprias sensações.

A psicóloga indica que a leitura compartilhada fortalece laços entre adultos e crianças: pais e responsáveis podem transformar o momento em diálogo, fazendo perguntas sobre a história, incentivando a expressão de sentimentos e respeitando interpretações singulares. Ela recomenda inserir a leitura na rotina de forma leve, sem cobranças, por exemplo antes de dormir ou em tardes tranquilas em família.

Estratégias simples, como usar vozes diferentes para personagens, variar entonação e fazer pausas para comentar a narrativa, tornam a experiência mais envolvente e estimulam a participação infantil. Michelle também frisa que não é obrigatório limitar o hábito a livros impressos: livros digitais são uma alternativa válida, desde que haja regularidade no contato com a leitura e o estímulo dos adultos para apresentar gêneros variados e permitir que as crianças escolham conforme suas curiosidades.

Sobre a Hapvida

Com mais de 80 anos de atuação, o Grupo Hapvida é descrito como o maior ecossistema de saúde da América Latina. A empresa conta com mais de 75 mil colaboradores e atende quase 16 milhões de beneficiários de saúde e odontologia nas cinco regiões do Brasil. Seu modelo inclui mais de 800 unidades, entre elas 84 hospitais, prontos atendimentos, clínicas, centros de diagnóstico e espaços voltados ao cuidado preventivo e doente crônico.

Com informações de Maispb