O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, enviou um ofício na sexta-feira (9) autorizando plataformas digitais a recomendarem perfis e publicações de candidatos eleitos no primeiro turno das eleições de 2026. A comunicação foi dirigida às empresas responsáveis pelas redes sociais e redes de distribuição de conteúdo.

O que muda

A orientação modifica a interpretação de uma resolução do TSE publicada em março, que vedava a recomendação algorítmica de perfis, canais e publicações vinculados a candidatos informados à Justiça Eleitoral durante o período eleitoral. Antes do ofício, essa proibição era aplicada a todos os perfis declarados até o encerramento do segundo turno. Com a nova orientação, a restrição permanece apenas para contas ligadas a candidatos que continuam no pleito do segundo turno.

Quem pleiteou a alteração

Segundo reportagens, políticos alinhados ao bolsonarismo, entre eles o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO), buscaram o presidente do TSE para pedir uma interpretação que permitisse a recomendação dos perfis de candidatos já eleitos. A mudança, conforme comunicada pelo ofício, beneficia em especial aliados do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno.

Impacto sobre alcance e campanha

A nova orientação permite que perfis de deputados e outras lideranças eleitas no primeiro turno, como o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, voltem a ser sugeridos pelos algoritmos das plataformas. Especialistas e analistas de dados ouvidos pela imprensa compreendem que essa ampliação do alcance pode favorecer a campanha de Flávio Bolsonaro no segundo turno, por ampliar a circulação de conteúdo de seus aliados.

Relatório da empresa de análise Zeeng sobre influência no Instagram em 2026 indicou predominância de representantes da direita entre os 100 perfis mais influentes no primeiro semestre: o PL concentrava 40% desses políticos, 55% eram de direita e 21% de centro-direita. No levantamento, Nikolas Ferreira ocupou a primeira posição, seguido por Michelle Bolsonaro e Lucas Pavanato (PL-SP), com base no engajamento médio por publicação calculado a partir de interações e volume de postagens no período analisado.

A decisão do TSE passa a vigorar a partir da data do ofício, aplicando a interpretação comunicada às plataformas, sem estender a proibição às contas de políticos que foram eleitos no primeiro turno.

Com informações de Polemicaparaiba