O Ministério Público da Paraíba (MPPB) entrou com ação civil pública na Justiça estadual requerendo indenização de R$ 10 milhões da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) em razão do rompimento do reservatório de água no bairro da Prata, em Campina Grande, ocorrido em 8 de novembro de 2025. O colapso provocou a morte de uma idosa, ferimentos em outras pessoas e danos a residências e estabelecimentos comerciais.

A peça foi proposta pelo 19º promotor de Justiça de Campina Grande, Hamilton de Souza Neves Filho, que atua em questões relacionadas ao meio ambiente e ao patrimônio social. O processo tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública de Campina Grande.

Como medida cautelar, o MPPB solicitou o bloqueio de R$ 10 milhões nas contas e ativos financeiros da Cagepa, destinado a assegurar a execução imediata de despesas e de obras destinadas à contenção e reparação. O pedido se apoia em laudos do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) e em parecer técnico da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que indicaram colapso estrutural do reservatório e apontaram combinação de falhas de projeto, erros de execução e falta prolongada de manutenção.

O jornal teve contato com a Cagepa, mas não obteve retorno até a última atualização da matéria. Em nota divulgada na época do acidente, a companhia lamentou o ocorrido e informou que apura as circunstâncias, além de ter encaminhado equipes técnicas e de assistência ao local.

De acordo com o MP-Procon, braço do Ministério Público, a estrutura do reservatório foi construída em concreto na década de 1960 e tinha capacidade aproximada de dois milhões de litros. Na ocasião do rompimento, o então presidente da Cagepa, Marcus Vinícius, declarou que a unidade não constava em relação de estruturas em estado crítico e era considerada íntegra frente aos padrões adotados pelo estado.

Impactos e atendimento

O acidente provocou o desabamento de três residências, destruiu três estabelecimentos comerciais e gerou danos estruturais em mais de 20 imóveis, além de arrastar diversos veículos. Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Polícia Civil foram acionados; não houve registro de pessoas soterradas.

O rompimento afetou o abastecimento de água em 40 bairros de Campina Grande e nos municípios de Lagoa Seca, Lagoa de Roça, Areial e Montadas, com interrupção temporária ocorrida no sábado e retorno gradativo a partir do domingo, 9 de novembro de 2025.

Também houve danos na rede de energia elétrica. A Energisa informou que a enxurrada causou prejuízos complexos à rede, houve interrupção no fornecimento e uso de recursos automáticos para religamento imediato. Equipes da empresa atuaram com o Corpo de Bombeiros na recomposição de postes e houve desligamento provisório da energia por segurança.

A ação civil pública segue em tramitação na 1ª Vara da Fazenda Pública de Campina Grande, com o objetivo de garantir recursos para contenção, reparos e eventual indenização decorrente dos prejuízos causados pelo colapso.

Com informações de Jornaldaparaiba