A política paraibana acumulou, nas últimas quatro décadas, sucessivos rompimentos entre governadores e os sucessores indicados por eles. Desde a redemocratização, episódios de disputas internas, acusações de traição e mudanças de partido redesenharam o cenário local em praticamente todas as eleições estaduais.
Wilson Braga x Tarcísio Burity
A primeira eleição direta pós-ditadura ocorreu em 1982. O PDS, sigla ligada ao regime militar, conquistou a maior parte das cadeiras da Assembleia, sete das 12 vagas na Câmara Federal, o Senado com Marcondes Gadelha e o Palácio da Redenção com Wilson Braga. O novo governador contou com o apoio do antecessor, Tarcísio Burity, então deputado federal mais votado com 173 mil votos.
A aliança, porém, ruiu antes do pleito de 1986. Burity trocou o PDS pelo MDB e lançou-se candidato ao governo. Braga bancou Marcondes Gadelha pelo PFL. Burity venceu com 61,27 % dos votos, enquanto Braga amargou apenas a terceira posição na disputa por uma cadeira no Senado.
Tarcísio Burity x Ronaldo Cunha Lima
No cargo desde 1987, Burity rompeu com parte do MDB em 1989, queixando-se de falta de apoio parlamentar. Prometeu trabalhar contra a candidatura de Ronaldo Cunha Lima e costurou apoio a João Agripino Maia. No primeiro turno de 1990, Ronaldo ficou atrás de Wilson Braga por diferença pouco superior a 3 %. No segundo turno, trouxe Agripino para sua coligação e virou o resultado, somando 55,1 % dos votos.
Ronaldo Cunha Lima x José Maranhão
O governo de Ronaldo foi marcado pelo episódio do “Caso Gulliver”, quando ele atirou três vezes no ex-governador Burity em 5 de novembro de 1993. Mesmo assim, licenciou-se em 1994, e foi eleito senador. Antônio Mariz venceu a eleição para governador, tendo José Maranhão como vice. Com a morte de Mariz, em setembro de 1995, Maranhão assumiu.
A convivência com Ronaldo durou até 21 de março de 1998. Na festa de aniversário de Ronaldo, em Campina Grande, o senador reclamou de perda de espaço, acusou Maranhão de quebrar compromissos e anunciou apoio a Cássio Cunha Lima. O grupo deixou o MDB e ingressou no PSDB. Maranhão foi reeleito em 1998, derrotando Gilvan Freire com mais de 80 % dos votos.
Cássio Cunha Lima x Ricardo Coutinho
Eleito governador em 2002 e reeleito em 2006, Cássio perdeu o mandato em 17 de fevereiro de 2009, enquadrado na Lei da Ficha Limpa. José Maranhão, que era vice, voltou ao governo e enfrentou nas urnas Ricardo Coutinho, então prefeito de João Pessoa. Para barrar Maranhão, Cássio aliou-se a Ricardo, que foi eleito no segundo turno, enquanto ele próprio se tornou o senador mais votado.
Os rumores de separação circularam durante todo o mandato. Em fevereiro de 2014, o vice-governador Rômulo Gouveia se afastou e Cássio anunciou pré-candidatura ao governo. O duelo veio nas urnas: Cássio liderou o primeiro turno; Ricardo venceu o segundo, amparado pelo apoio de José Maranhão e Vital do Rêgo.
Ricardo Coutinho x João Azevêdo
Na reta final de seu segundo mandato, Ricardo precisava escolher um sucessor. Em julho de 2017, apresentou o secretário de Infraestrutura João Azevêdo, até então sem experiência eleitoral. Para ajudá-lo, decidiu não disputar o Senado. A estratégia funcionou: João venceu no primeiro turno de 2018 com 58 % dos votos.
Mesmo com laços de trinta anos, divergências internas – incluindo exonerações de aliados de Coutinho – e o avanço da Operação Calvário desgastaram a relação. O rompimento foi consumado em dezembro de 2019, e os dois grupos seguem separados desde então.
Os seis episódios ilustram como disputas locais e mudanças partidárias têm alterado repetidamente o comando do Executivo estadual, muitas vezes envolvendo líderes que, pouco tempo antes, dividiam o mesmo palanque.
Com informações de Polemicaparaiba



